Afinal, quem é que sabe desta vida?

Ouçam, na @RadioBandNewsBeloHorizonte, a coluna com o audio deste texto. Só teclar AQUI.
Perdemos o talento, a sensibilidade, o humor fino e a permanente alegria de Flávio Henrique. Perdemos mais: esta foi uma derrota política. Perdemos um cidadão combativo, consciente e esclarecido. Não estava na presidência da Rede Minas por acaso. Sua perda também é uma vitória da barbárie. A Febre Amarela, em seu estado silvestre, já estava controlada há décadas. E agora, o medo aumenta: a outra batalha é impedir que a urbana retorne – esta sim, erradicada desde 1942. Flavinho morre assim, como a letra de uma canção de protesto, pedindo cuidado com as pessoas, com os amigos, com o meio ambiente (logo ele, que amava tanto a natureza). Flavinho morre-não morre. Estará conosco no ambiente dos sonhos, da música, ao lado de outros que assim viveram, como Fernando Brant e Veveco.
Da minha parte, perco o pivete que me seguia em Nova Almeida, nas noites de viola, dividindo a madrugada com Heloisa Camara Pimenta Campos, Rodrigo Carneiro e tantos outros; anos depois, o estagiário que me acompanhou no início do Sempre Um Papo. Quem agora vai contar as histórias malucas dos telefonemas de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola que ele atendeu? Mais tarde, a companhia do vizinho no Retiro das Pedras, seu primeiro casamento e filha; e agora, novamente nossos caminhos se cruzaram, na sua brilhante trajetória como Gestor da Rede Minas. Nosso último encontro foi há duas semanas, em um jantar privado. Conversamos muito e sentei ao seu lado, na mesa. O jantar se alongava e ele queria uma coisa só: voltar pra casa rápido, para estar com sua família.
Aqui, neste espaço inodoro e asfixiante do Facebook, centenas e centenas de pessoas manifestaram seu carinho e amor por Flávio Henrique, na forma de orações. Hora de transportar esta energia boa para sua família, para que tenham força e coragem para enfrentar os duros momentos que virão. Força, fé e confiança no mistério que nos rege.
Adeus, Flávio Henrique. Ou até já, afinal, quem é que sabe desta vida?
A.

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