A FLIP, bem temperada com raça e gênero, também conta com uma ótima programação paralela

A FLIP está redondinha, este ano. Com autores consagrados e novos, com o tempero exato de raça e gênero, por obra e graça de Josélia Aguiar. Mas o que acontece ao redor da programação oficial é muito legal, também: Casa Publishnews, Câmara Brasileira do Livro, ANL, Cássia Carrenho… e por aí vai. Ouçam o Mondolivro, de Afonso Borges, na Rádio BandNews Belo Horizonte, teclando AQUI.

Na história do Maletta, 5 décadas de pequenas revoluções

Você já sentiu medo de conversar sobre qualquer assunto em um bar? Na época da ditadura militar, isso era a regra. Mas no Edifício Maletta, no centro de Belo Horizonte, a história era diferente. Ali era um oásis cultural, onde escritores, cineastas, atores, músicos, bailarinos e toda sorte da área cultural se encontrava, nas décadas de 60, 70 e 80 para tramar uma provável revolução, ou derrubada dos militares ou apenas uma música, um livro, um filme. A Livraria Eldorado de frente pra Cantina do Lucas, o Lua Nova, Pelicano e, nos arredores, a redação do jornal Estado de Minas e Diário da Tarde, o Suplemente Literário, o Salloon, o cine Palladium, o cine Metrópole, a Faculdade de Direito, na Praça Afonso Arinos… um raro caso de confluência de todas as artes, profissões, sentidos e ações.

Nos tempos atuais, a Rua da Literatura ainda não saiu, mas as livrarias Ouvidor, Quixote e Scriptum continuam fazendo o melhor do sábado de manhã, na Savassi. Uma pena que a Belotur, e o poder público não prestam a mínima atenção nisso….

A dica de livro vai para o recém-lançado “Um Longo Caminho Para Esquecer”, de Adalberto Luiz, editado pela novíssima “Casa Editorial Quixote – Dô”.

Ouçam o bom bate-papo de Afonso Borges, Luciana Vianna e Ike Yagelovic. Só teclar AQUI.

A dimensão planetária de Leonardo Boff (e o Papa Francisco)

Abaixo, o texto da minha coluna no portal do jornal “O Globo”.

Para acessá-la, só teclar AQUI.

Durante toda a ditadura militar, os irmãos Clodovis e Leonardo Boff foram perseguidos pela ala conservadora da Igreja Católica. No centro de tudo, e ao redor, a Teologia da Libertação. Clodovis recolheu-se, mas Leonardo, não. No seu encalço, no Brasil, D. Eugenio Sales e em Roma, ninguém menos que o Cardeal Ratzinger, futuro Papa Bento XVI que, por ironia do destino, foi seu orientador em estudos eclesiásticos. Vieram as sucessivas punições, até a maior delas: fizeram-no sentar na cadeira onde Giordano Bruno e tantos outros hereges, na época da Inquisição, estiveram. E todos sabem que era dali para a fogueira. Não houve a fogueira, claro. Mas o recado foi dado: largava a batina ou seria premiado com a excomunhão.

Há dois anos, Boff estava em Milão para um Congresso quando recebeu, através de um emissário, convite para que visitasse o Papa Francisco no Vaticano. Motivo: ele queria promover uma reparação à injustiça que a Igreja Católica cometeu, no caso da Teologia da Libertação. Leonardo foi para Roma e esperou o chamado para a reunião que, infelizmente, não aconteceu por causa de um Sínodo (assembleia periódica de bispos de todo o mundo que, presidida pelo papa, se reúne para tratar de assuntos ou problemas concernentes à Igreja universal) que se realizava naquele momento. Desde então, Leonardo aguarda um novo convite que virá, com certeza, dada a natureza do Papa Francisco e sua ligação com a Teologia da Libertação. Só para lembrar: o Papa Francisco, em 2015, consultou Leonardo Boff para escrever a sua encíclica sobre o meio ambiente, fato divulgado mundialmente. E, para encerrar: o Brasil e os brasileiros infelizmente, por ignorância, desconhecem a importância e notoriedade de Leonardo Boff na esfera planetária. Ele é referência em conteúdo, inovação e conhecimento, do alto dos seus mais de cem livros publicados. E passou da hora de ser reverenciado como tal no seu Pais de origem. Ou será que vamos precisar da reverência de um estrangeiro, argentino, com as vestes de Papa, para isso acontecer?

Para assistir o trecho do Sempre Um Papo que Leonardo Boff fala sobre o assunto, só teclar AQUI.

O Memorial da Democracia, um genial Portal da história brasileira

Está no ar o Memorial da Democracia, um espaço incrível de consulta sobre a memória brasileira. Em uma plataforma multimídia, é uma verdadeira aula de história, contada como se deve ser: com investigação minuciosa e especializada, feita pela equipe irretocável do Projeto República, liderada por Heloisa Starling. 

A segunda etapa do Projeto será lançada no dia 10 de julho, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, com a presença do ex-presidente Lula e do Governador Fernando Pimentel.

Ouçam o Mondolivro, com Afonso Borges, na Rádio BandNews  Belo Horizonte, que teve a participação de Luciana Viana, Heverton Guimarães e Ike Yagelovic. Só teclar AQUI.

E a dica de livro é “Brasil: Uma Democracia”, de Lilia Moritz Schwarcz e Heloísa Starling

 

 

 

Saldanha, centenário, e seus casos em BH

João Saldanha foi um dos primeiros convidados do Sempre Um Papo. Lotou o “Cabaré Mineiro”, em 1987, para lançar o seu “Meus Amigos”. Até falecer, em 1990, esteve várias vezes em BH. Das muitas boas histórias que este bom amigo me deixou, a mais divertida foi quando o jornalista Carlos Herculano decidiu fazer um almoço para ele. Uma galinhada. Era um domingo, e fomos comprar a galinha no Mercado Central. Mas eu tinha esquecido: era João Saldanha. Parado na porta do Mercado, esperando o Carlinhos comprar as galinhas, em presenciei o amor que o público tinha por ele. Era um amor natural, ele era uma presença em suas vidas quase diária, na tevê, com aquele bordão: “meus amigos”… Depois, fomos almoçar. Nos divertimos, ele contou muitas histórias, a maioria mentira, como sempre. O Carlinhos fotografou tudo. Dias depois, me manda uma foto, com o João mordendo uma coxinha de galinha. E com a seguinte legenda: quem disse que comunista não come criancinha? E tem a história do Tostão… entre outras. Ouçam Afonso Borges na Rádio BandNews Belo Horizonte, teclando AQUI.

 

Papa Francisco vai reparar injustiça contra Boff

O Papa Francisco vai convocar Leonardo Boff ao Vaticano para promover o que ele considera uma “reparação” à perseguição sofrida pelo teólogo brasileiro. Perseguição esta que o fez sentar na cadeira na qual Giordano Bruno e tantos outros hereges, na época da Inquisição, estiveram para se submeterem a um interrogatório que terminava, quase sempre, na fogueira. Boff ali sentou-se para dar esclarecimentos sobre a Teologia da Libertação, da qual ele é um dos ideólogos. Nossa sorte é que o querido ex-Frei não foi queimado – mas forçado a largar a batina, em 1991. Ouçam Afonso Borges na Rádio BandNews Belo Horizonte, teclando AQUI.

 

8 Dicas para se conhecer as Mentiras que Dizem Sobre a Lei Rouanet

É inacreditável a falta de informação que as pessoas tem sobre a Lei Rouanet. Fiz aqui um pequeno glossário para que as pessoas não caiam em conversa fiada e mentiras sobre a Lei Federal de Incentivo à Cultura. Vamos lá: 

1 – Lei Rouanet e Lei Federal de Incentivo à Cultura são as mesma coisa;

2 – A Lei Rouanet não é verba do Ministério da Cultura – é renúncia fiscal, é incentivo, dedutível no Imposto de Renda a pagar. E só empresas em regime de Lucro Real podem utilizar este mecanismo, tais como Bancos, Seguradoras, Siderúrgicas e Telefonia. Neste caso, o limite é 4% do imposto a pagar, ou seja, é um incentivo que tem como base o lucro das empresas. Pessoas físicas podem contribuir, no limite de até 6% do IR a pagar. Mas o depósito é feito direto na conta do Proponente. Não é dinheiro repassado pelo MinC, como muitas pessoas imaginam;

3 – O percentual do incentivo à Cultura representa somente 0,66% da renúncia fiscal da União. Quer ver o percentual de outros setores? Comércio e Serviços: 28,5%; Indústria: 11,89%; Saúde: 11,60%; Agricultura: 10,32%; Educação: 4,85%; Habitação: 4,45%. Repetindo: Cultura: 0,66%, dos quais 0,48 é destinado à Lei Rouanet. Entenderam o tal do muito barulho por nada? Estamos falando de 0,48%. E mais: nem 25% deste é realmente captado, o que reduz para 0,12%. 

4 – Quem transfere os recursos para o projeto cultural é a Empresa patrocinadora e não o Ministério da Cultura. Que, hoje em dia, mal tem verba para o custeio;

5 – Ninguém recebe dinheiro da Lei Rouanet ou do Ministério da Cultura, como sai em algumas as matérias, textos e posts equivocados. Quando você inscreve um projeto na Lei Rouanet, recebe, depois de uma minuciosa análise, uma autorização para captar recursos incentivados junto às empresas, no mercado;

6 – A Lei Rouanet tem 2 mecanismos de captação, com parâmetros percentualizados: artigo 18, onde o recurso ao projeto, repassado pelo Incentivador, é 100% dedutível, e artigo 26, que varia entre 50 e 70% de dedução no Imposto de Renda a pagar; 

7 – Os casos de malversação de recursos recentemente divulgados não foram obra e graça de investigação da Polícia Federal, como sugerem as matérias veiculadas na imprensa. Foram devidamente fiscalizados, arguidos e cobrados à exaustão pelos funcionários e técnicos do Ministério da Cultura. Constatadas as irregularidades, os casos foram passados para o Ministério Público que, como manda a Lei, acionou a Polícia Federal. É assim que funciona. 

8 – Se quiser conhecer mais sobre o assunto, baixe a cartilha feita pelo FBDC – Fórum Brasileiro Pelos Direitos Culturais: http://bit.ly/2sK9H8N 

Por enquanto, saber isso já basta para não enganar… e ser enganado.

Com Mia Couto, o Fliaraxá 2017 coloca a Lusofonia na pauta

O Curador do @Fliaraxá, @AfonsoBorges fala à Rádio BandNews Belo Horizonte sobre as novidades da sexta edição do Festival Literário que pretende agitar o novembro, em Minas Gerais, com o tema “Língua, Leitura e Utopia”. Ouçam, teclando AQUI. E abaixo, o release oficial do Festival. Vejam as atrações.

Leiam também esta matéria no Publishnews.

VI Festival Literário de Araxá – Fliaraxá 

O Ministério da Cultura e o Circuito CBMM de Cultura apresentam a sexta edição do Fliaraxá – Festival Literário de Araxá – a se realizar entre os dias 15 e 19 de novembro de 2017, quarta a domingo, no Grande Hotel Tauá de Araxá. O evento terá como tema “Língua, Leitura e Utopia” e levará à cidade mineira importantes nomes da literatura lusófona, entre eles, Mia Couto, José Eduardo Agualusa, Gonçalo Tavares, José Luiz Peixoto, Inês Pedrosa e Ondjaki. A eles, vão se somar escritores e escritoras brasileiras, para compor os painéis e programação. O Brasil ocupa a presidência rotativa da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – no biênio 2016-18.

O Fliaraxá tem como patrono o Prêmio Nobel de Literatura José Saramago, que faria 95 anos em 2016 e Mia Couto como Autor Homenageado.

“Esta edição vai consolidar a importância do Festival no cenário literário e cultural do Brasil. Minha ideia é transformar Araxá, durante estes cinco dias, na capital da lusofonia, onde serão acolhidos escritores, atores, músicos e estudiosos da nossa língua. Tudo isso, numa grande sinergia com os nossos autores brasileiros que também estarão na programação tanto adulta, quanto infantil ”, destaca Afonso Borges, idealizador e curador do Fliaraxá.

Todas as atividades têm acesso livre graças à Lei Rouanet (Lei Federal de Incentivo à Cultura), com o apoio cultural do CBL – Câmara Brasileira do Livro, CML – Câmara Mineira do Livro e do Publishnews. A realização da Associação Cultural Sempre Um Papo.

O VI Fliaraxá dará continuidade às linhas traçadas com sucesso em sua quinta edição: forte presença nas escolas, professores e pais, com interlocução junto ao poder público, na área de educação; uma grande livraria que venderá livros a preços reduzidos; a extensão do Concurso de Redação “Literatura Nas Escolas” aos estudantes do Uniaraxá; programação específica e forte dirigida às crianças e adolescentes para explicar a importância da Lusofonia; exposição sobre o livro “O Lagarto”, escrito por Saramago e ilustrado pelo gravurista pernambucano J. Borges.

Balanço 2016

O V Fliaraxá teve público de 16.732 mil pessoas. Somou 70 convidados, 62 atividades e 11 oficinas. Com lotação máxima em todos os dias, o Teatro Municipal de Araxá recebeu um público superior a 1.800 pessoas, que assistiram os espetáculos Jazz do Coração, Caravana Tonteria, Delírio do Verbo, Auê e Estamira, que integraram a programação do Festival.

Serviço:

VI Festival Literário de Araxá Fliaraxá

Data: 15 a 19 de novembro – quarta-feira a domingo

Local: Grande Hotel Tauá de Araxá – Barreiro – Araxá/MG

Informações: www.fliaraxa.com.br – Facebook, Instagram e Twitter em /fliaraxá