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Livro de Mordzinski inclui escritores brasileiros

A Editora Sesi-SP manda para as livrarias o livro de fotografias intitulado “Daniel Mordzinski”. Lindíssimo, contém fotos de muitos brasileiros, clicados, principalmente, no Fliaraxá, em 2013, em no FliBH, em 2014. É uma beleza! Ouçam o comentário de @AfonsoBorges, clicando na barra abaixo, que leva ao site da Rádio CBN Belo Horizonte.

Rodapé_MondoLivro - Boletim literário na Rádio CBN

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Vai começar o V Fliaraxá: cinco dias de imersão cultural

“O Amor, a Leitura e as Diferenças” é a pauta do V Fliaraxá, de 14 a 18 de setembro. Ouçam o Mondolivro, da CBN Bhz, com Afonso Borges. Só teclar na barra abaixo. Em seguida, o release oficial. Tudo com entrada franca, graças à Lei Rouanet, via Circuito Cultural CBMM, com o apoio do Itaú.

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V Fliaraxá aborda “O Amor, a Leitura e as Diferenças”

O Ministério da Cultura e o Circuito CBMM de Cultura apresentam a quinta edição do Fliaraxá – Festival Literário de Araxá, a se realizar entre os dias 14 e 18 de setembro, na Fundação Calmon Barreto. Com o tema “O Amor, a Leitura e as Diferenças”, a maratona de debates, mesas, oficinas e lançamentos de livros contará com a presença de cerca de 70 convidados, incluindo os teólogos Leonardo Boff e Frei Betto, os filósofos Mario Sérgio Cortella, Marcia Tiburi, Clóvis de Barros Filho e Vladimir Safatle, as escritoras infanto-juvenis Thalita Rebouças e Paula Pimenta, os infantis Nelson Cruz, Marilda Castanha e Mary e Eliardo França, os youtubers literários Eduardo Cilto e Taty Ferreira, o músico e ativista social MV Bill, os poetas Zack Magiezi e Sérgio Vaz, os escritores Nelson Motta, Laurentino Gomes, Miriam Leitão, Sérgio Abranches, Sérgio Rodrigues, Eduardo Spohr e Milton Hatoum, autor homenageado desta edição. O italiano Roberto Parmeggiani, os portugueses José Pinho e Tatiana Salem Levy e o norte-americano William C. Gordon são os convidados internacionais.

Todas as atividades têm acesso gratuito graças à Lei Rouanet (Lei Federal de Incentivo à Cultura), com o apoio cultural do Itaú e apoio institucional da Câmara Brasileira do Livro, Câmara Mineira do Livro e do Publishnews.Realização da Associação Cultural Sempre Um Papo e produção da Rubim Produções. Os principais debates terão tradução em libras.

A programação artística contempla espetáculos teatrais que trazem a literatura em seu conteúdo. “Passagem” do Grupo Primeiro Ato abre o Fliaraxá (14/09), na Fundação
Calmon Barreto;  “Jazz do Coração”, com Françoise Forton (14/9) fecha o primeiro dia do festival, com textos de Ana Cristina César; no Teatro Municipal de Araxá serão apresentados: “Delírio do Verbo”, com Jonas Bloch (15/9), “Caravana Tonteria”, com Letícia Sabatella (16/9); “Auê”, com a Cia. Barca dos Corações Partidos (17/9) e “Estamira”, com Dani Barros (18/9). Durante os cinco dias de festival, o Grupo Fratelo, formado por artistas araxaenses, fará intervenções teatrais com interatividade do público.

 

O V Fliaraxá tem como tema “O Amor, a Leitura e as Diferenças” e traz a termo duas das principais questões da atualidade: o amor, em contraponto à hostilidade e intolerância no mundo atual e as diferenças nas relações humanas, tais como as raciais, físicas e as de gênero. A leitura entra como um mediador atuante e interdisciplinar. “Seguimos com o objetivo principal do Fliaraxá, que é o incentivo ao hábito da leitura e, dessa vez, tendo o amor como o grande anfitrião dos assuntos a serem abordados por autores e intelectuais.  A presença das diferenças no tema reforça a importância de se ter uma visão em diagonal do mundo, à luz da ausência de preconceito e a reflexão sobre um novo mundo e novas perspectivas”, explica Afonso Borges, idealizador e curador do Festival.

Milton Hatoum e Companhia das Letras, autor e editora homenageada

O escritor Milton Hatoum é o autor homenageado desta edição. Em quase 30 anos de vida literária, o amazonense publicou cinco dos mais premiados livros brasileiros, como os romances “Relato de Um Certo Oriente” e “Cinzas do Norte”, que receberam diversos prêmios. Sua obra já foi publicada em mais de 17 países. A Companhia das Letras, que comemora 30 anos de existência é a editora homenageada, tendo como seu representante, Hatoum.

V Prêmio Fliaraxá Literatura nas Escolas – Concurso de redação

O Fliaraxá promove entre os alunos das escolas de ensino médio e fundamental o quinto Concurso de Redação. O objetivo é revelar novos talentos, promover a literatura e incentivar os hábitos da escrita e leitura. Como nas edições anteriores, o tema é o mesmo do  Festival, sendo nesta, portanto, “O Amor, a leitura e as diferenças”. O Concurso envolve cerca de 3 mil crianças e jovens de Araxá, de 30 escolas. Os vencedores recebem prêmios em dinheiro e o regulamento fica disponível no site www.fliaraxa.com.br.

Livro sobre Araxá

O lançamento do livro “Araxá – A cidade da gente” será um dos pontos altos da programação do V Fliaraxá. A obra é coordenada pelo escritor José Santos e ilustrada por Nara Isoda. Numa parceria da Editora Olhares e o Fliaraxá, o livro aborda a educação patrimonial, mostrando tanto o nosso acervo histórico araxaense, quanto o patrimônio imaterial. Produzido a várias mãos, o livro também contou com a participação da comunidade de estudantes e professores da rede pública de ensino da cidade, com o apoio da Secretaria Municipal de Educação.

Autores confirmados Fliaraxá 2016

Dentre os convidados já confirmados para essa quinta edição estão Leonardo Boff, Mario Sérgio Cortella, Frei Betto, Luiz Ruffato, Laurentino Gomes, Sérgio Rodrigues, Carlos Herculano Lopes, Clóvis de Barros Filho, Rodrigo Feres, Marcos Linhares, Acely Hovelacque, Eduardo Cilto, Eduardo Spohr, Fernanda de Oliveira, Tico Farpeli, Vladimir Safatle, Zack Magiezi, Alejandro Castañé, Ana Carla Fonseca, Ascânio Seleme, Nelson Motta, Marcia Tiburi, Sérgio Abranches, Miriam Leitão, João Paulo Cuenca, Josemar Gimenez, Paula Pimenta, Thalita Rebouças, Sergio Vaz, Jô Oliveira, Milton Hatoum, Isabela Noronha, José Santos, Lucrécia Leite,Eliardo França, Mary França, Marilda Castanho, Nelson Cruz, MV Bill, Macaé Evaristo, Marco Haurélio, Paulo Netho, Paulo Werneck, Rodrigo Faria e Silva e Salatiel Silva. Autores internacionais também integram a programação: o italiano Roberto Parmegianni, os portugueses Tatiana Salem Levy e José Pinho, e o americano William C. Gordon.

E os autores de Araxá, Jower Henrique Carneiro, Leila Ferreira, Taty Ferreira, Canarinho, Luiz Humberto França, Dirceu Ferreira, Dilse Carneiro, Glaura Teixeira Nogueira de Lima, Hermes Honório da Costa, Heleno Álvares, José Otávio Lemos, Márcio Antônio de Paula Duarte, Odone Rios, Rafael Nolli, Tarcísio Cardoso, Mara Senna, Líria Porto e Luiz Sayegh.

Programação infanto-juvenil do V Fliaraxá

A programação infantil desta edição será coroada com a presença do casal Mary e Eliardo França, que revolucionou as publicações infanto-juvenis, vendendo milhares de livros. Eles participam pela primeira vez do Fliaraxá, contando suas histórias mais famosas como as que estão presentes nas coleções Gato e Rato e Pingos. Outro casal convidado é Marilda Castanha e Nelson Cruz, famosos por escreverem e ilustrarem seus livros. Eles participam com palestras sobre a magia e o poder da ilustração.

 O Fliaraxá também preparou a série “Como brincam…” em que os autores vão contar como são as brincadeiras nas cidades ou ambientes onde vivem. O escritor italiano Roberto Parmeggianni vai contar Como brincam as crianças na Itália; o português José Pinho fala sobre Como brincam as crianças em Portugal, Jower Henrique, de Araxá, conta Como brincam as crianças no interior e o escritor baiano Marco Haurélio fala Como brincam as crianças no Sertão. A ideia é trazer ao universo infantil outras opções de diversão e aprimorar seus conhecimentos sobre outras culturas.

Outra novidade desta edição é o Piquenique literário, que ocorrerá na manhã de sábado, aberto a toda a família. Todos são convidados a levarem seus lanches ou adquirir no Café do Fliaraxá; assim como levarem os livros para lerem com os filhos ou adquirir na livraria, que oferecerá livros a partir de 1 real.

As autoras infanto-juvenis Paula Pimenta e Thalita Rebouças retornam ao Festival, conversando com o público sobre suas obras e os temas “Os afetos na adolescência” e “Descobrindo o amor”, respectivamente.

Mascotes do V Fliaraxá

Sucesso nas edições anteriores, o “Sarau da Turma do Tamanduel” (tamanduá bandeira), primeiro mascote oficial do Fliaraxá que, na edição passada ganhou o amigo Lobato (Lobo Guará), promete ser mais uma vez a principal atração para o público infanto-juvenil.   O palco do Sarau tem no comando os autores  infantis José Santos, Paulo Netho, Marco Haurélio, Lucrécia Leite e Salatiel Silva – músico, e o Grupo de teatro de Araxá, Fratelo.

Oficinas do V Filaraxá

Na programação estão previstas diversas oficinas gratuitas. Utilizando a tecnologia a favor da literatura, Luiz Ruffato ensina “Como criar seu blog literário”. Os autores Rodrigo Feres e José Santos  ensinam sobre “Poemas de amor no WhatsApp”. E Rodrigo Feres  também conta sua experiência e dá dicas na oficina “Como fazer um livro digital”. A premiada autora Isabela Noronha realiza a oficina “Diálogos”, na qual dá exercícios de escrita e criação literária. O autor Heleno Álvares ensina “Como fazer um sarau literário” e o resultado será apresentado no Café do Fliaraxá. O ilustrador pernambucano Jô Oliveira dá a “Oficina de quadrinhos – Sertão”, inspirada no livro Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa. Recentemente, Jô fez 40 desenhos inspirados nessa obra de Rosa.  E o cordelista Marco Haurélio, autor de mais de 80 títulos do gênero e roteirista da novela Velho Chico, ensinará “Como criar um livro de Cordel”. A contadora de histórias, Lucrécia Leite, ensina “Como usar o livro ilustrado em sala de aula”. E os contadores de casos, Canarinho e Odone Rios, darão dicas de “Como contar um causo mineiro”, com bastante humor. E Ana Carla Fonseca (Cainha) e Alejandro Castañe proferem a oficina “Cidades criativas: inteligência coletiva”, para ensinar novas formas de se enxergar e gerar desenvolvimento nas cidades, sob um olhar especial para Araxá. Essa oficina será realizada na sede da Associação Comercial de Araxá, Acia.

Mesas de debates discutem “O amor, a leitura e as diferenças”

Nesta edição, cerca de 70 autores compõem a programação do Fliaraxá, em mais de 50 encontros e debates. As mesas seguem o tema do Festival, trazendo também assuntos pertinentes à especialidade dos escritores convidados. Dentre os destaques da programação estão: Luiz Ruffato e João Paulo Cuenca que se unem para falar do tema “Cinema e literatura”, trazendo à tona suas experiências em ter seus livros adaptados para as telonas. O rapper e ativista social MV Bill se junta ao jornalista Sérgio Abranches para falarem sobre “O amor, a literatura e a música como transformadores sociais”. Frei Betto e Vladimir Safatle falam na mesa “Da felicidade e dos afetos”, discutindo como a vida social e política influenciam na sociedade. Laurentino Gomes e Sérgio Rodrigues falam sobre “O amor na história e na literatura”. Os curadores de três festivais literários Afonso Borges – Fliaraxá, Paulo Wernek (Flip) e o português José Pinho (Folio – de Portugal), se unem para debater o tema “Curadoria, gestão cultural e experiências”. O poeta que vivenciou o movimento da poesia marginal dos anos 70 à poesia periférica e dos saraus dos últimos 15 anos, Sérgio Vaz, contará suas experiências literárias na mesa “Conversa sobre poesia”. A poesia ganha mais um destaque na mesa “Poesia e amor na Literatura”, com Zack Magiazi e Marco Haurélio. Mirian Leitão senta-se com a portuguesa Tatiana Salem Levy para uma conversa sobre “O tempo na literatura”. Mario Sérgio Cortella e Leonardo Boff, em separado, falam sobre o tema do Fliaraxá.  Assim como o italiano Roberto Parmeggiani, que trabalha com crianças e adultos com deficiência, realizando oficinas e projetos de formação para inclusão e fará a palestra de abertura do Festival e, em outro momento, junta-se à secretária de Estado de Educação de Minas Gerais, Macaé Evaristo, para falar sobre “A inclusão nas escolas”.

A mesa do homenageado, com Milton Hatoum e o jornalista Ascânio Seleme, também abordará o tema do V Fliaraxá. O norte-americano, William C. Gordon, autor de obras policiais, junta-se a Leila Ferreira e fala sobre “Amor e morte na literatura”. Nelson Motta e Marcia Tiburi falam sobre “A Música, o Amor e a Filosofia”, em especial na música e sob o olhar filosófico.  Clóvis de Barros Filho exporá sobre o tema de seu novo livro “Felicidade ou morte”.

Literatura da web

O V Fliaraxá terá um olhar especial aos autores que começaram e mantêm o trabalho literário na internet e a força dessa mídia, principalmente entre o público jovem. A youtuber Taty Ferreira, com milhares de seguidores, sucesso em seu canal pessoal fala sobre o tema “Mulheres na rede”. E o blogueiro e jornalista Eduardo Spohr explana sobre “Literatura fantástica online e em papel”. Outra novidade desta edição, é o “Primeiro encontro de booktubers e blogueiros” com a presença de Eduardo Cilto, Paulo Netho, Cássia Carrenho, Fernanda de Oliveira e Tico Farpeli. E o autor Rodrigo Feres, do projeto Levir (Ler + Ouvir) que une música e literatura, senta-se com seu editor Rodrigo Faria e Silva para falar sobre “O livro – do formato digital ao impresso”.

Parceria Publishnews

Nesta quinta edição o Fliaraxá recebe a parceria para a cobertura e divulgação do Festival do respeitado canal de notícias do mundo editorial Publishnews. O objetivo é que as mais 13 mil pessoas que assinam a newsletter e os leitores do portal, recebam, em primeira mão, as informações de tudo que ocorre no evento.

Números Fliaraxá

O Fliaraxá contabiliza números expressivos, desde sua primeira edição, em 2012. Em 2015, o evento ocorreu de 26 a 30 de agosto com 60 autores convidados, 41 atividades, 11 oficinas, cinco espetáculos teatrais, venda de 56 mil livros na livraria oficial e 15 mil visitantes. Em 2016, são 70 convidados, 62 atividades, 11 oficinas e seis espetáculos teatrais e a expectativa é superar os números de venda de livros e público em relação à IV edição.

Serviço:

V Festival Literário de Araxá – Fliaraxá

Data: 14 a 18 de setembro – quarta-feira a domingo

Local: Pátio da Fundação Cultural Calmon Barreto – Praça Arthur Bernardes, 10 – Centro – Araxá

Informações: www.fliaraxa.com.br – Facebook, Instagram e Twitter em /fliaraxa

Informações para a imprensa:

Coordenadora de comunicação:

Jozane Faleiro – jozane@sempreumpapo.com.br – 31 3261-1501 / 31 99204-6367

Jornalismo: Fred Silva – imprensa@fliaraxa.com.br – 31 3261-1501 / 31 98811-3568

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Sem os escritores, a política piora. E muito.

Amigos e amigas, segue o texto da minha coluna no jornal O Globo. Vejam… na foto, o poeta Emílio Moura, ao lado do político Milton Campos. Será que um poeta sentaria, assim, ao lado de um político, hoje? Afonso.

Qual o papel dos escritores na política? A história ajuda um pouco nessa reflexão: os escritores sempre estiveram ao lado dos políticos. Carlos Drummond de Andrade foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, assim como Murilo Rubião foi de Juscelino Kubistchek; Otto Lara Rezende e Carlos Heitor Cony escreviam discursos para políticos.

Dezenas de escritores eram funcionários públicos. Até Machado de Assis foi diretor geral do Ministério da Viação, no final do século dezenove. Até 1970, eram raros os políticos que não tinha escritores no seu staff. Hoje, não é mais assim. A classe política se afastou da literatura e vice-versa. E isso é o muito estranho. Muito estranho e perverso – isso porque o político trabalha, assim como os escritores, com a palavra. E quando parou de trabalhar com as palavras e as ideias, entrou o dinheiro. Hoje, políticos se elegem sem palavras, sem ideias e sem verbo. Hoje, os políticos se elegem com a verba.

Sem os escritores na política, as ideias caminham sozinhas, sem a construção literária e ideológica que elas necessitam para dar certo. Sem os escritores, a ideia iluminista de um mundo solar, igualitário, solidário, comum, foi deixada de lado. Sem os escritores na política, os livros não têm importância nenhuma. A leitura caminha sozinha, sem direção e a literatura passa a ser apenas um departamento dos Ministério da Cultura, ou Educação, tratada igual às demais. E não é! A literatura e a leitura fundam a consciência crítica do cidadão, elaboram a noção da ética e determinam noções fundamentais para nossa existência, como a da beleza e da criação.

Sem os escritores na política ficamos assim, invisíveis, ilegíveis, literais. Sem capacidade de interpretação. Em um mundo muito pior.

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Renato Russo voltou. Assim, simples assim.

Aqui, o ponteiro para o blog em “O Globo”. Só teclar aqui. Quem não tem assinatura, é só preecher um cadastro, ou logar pelo Facebook. Abaixo, o texto, na íntegra:

Como se fosse hoje. Como se estivéssemos vivendo tudo agora. O tempo não passa quando se fala de Renato Russo. Se estivesse vivo, suas músicas com conteúdo político poderiam ser lançadas esta semana, sem nenhum ruído com a realidade nacional. Seus temas preferidos, amor, sexo, ética, religiosidade, vícios e desilusão são quase profecias. As letras, desprovidas de preconceito, são corajosas e ambivalentes. Vale a pergunta: Renato Russo morreu? Em 11 de outubro próximo, dizem as más línguas que vão se completar 20 anos de sua passagem, um sopro de vida e luz.

Carlos Marcelo Carvalho, jornalista e escritor, manda para as livrarias, pela Planeta de Livros Brasil, a edição revista e ampliada de “Renato Russo – O Filho da Revolução”. São 446 páginas, com bloco de fotos e novas entrevistas. A primeira edição do livro foi publicada em 2009. Nesse meio tempo, surgiram novos fatos e versões sobre a vida/obra de Russo, como os livros de seu parceiro de vida inteira, Dado Villa-Lobos (Memórias de um legionário) e Fê Lemos (Levadas e quebradas). Com a mesa posta, livro dormido e relido, Carlos Marcelo pode refletir sobre os acréscimos mais interessantes a esta nova edição.

Pouca gente sabe, mas Marisa Monte conheceu Renato no Rio e revela, em entrevista exclusiva, detalhes sobre a parceria na música Celeste (gravada pela Legião com o título de Soul Parsifal). “Parecia que Renato não cantava muito para as pessoas, cantava sobre ele e para ele. Além disso, ao vivo ele tinha performance muito emotiva, única, de uma profundidade impressionante”, depõe.

Carlos Marcelo dedica-se, neste livro renovado, a investigar o período que antecedeu a morte do cantor, fazendo novas entrevistas com familiares e músicos. Vejam: inacreditáveis seis discos foram produzidos antes de sua morte – quatro com Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá para a Legiaõ e dois projetos com o tecladista Carlos Trilha. Este, por sinal, comenta na entrevista ao livro que, nas gravações dos discos The Stonewall celebration concert e Equilíbrio distante, “Renato não desafinava. Impressionante como ele conseguia afinar sem se ouvir. E a afinação vinha com uma potência de voz incrível”. Esse intervalo, de aproximadamente cinco anos, é objeto de um capítulo inédito, anterior ao epílogo.

Na busca de um final para este artigo, as breves palavras de Carlos Marcelo Carvalho são uma síntese insubstituível: “Renato se arriscou. Olhou para o espelho e encontrou uma janela. Saltou sem proteção, sem temer o impacto, sem medo da dor. Em vez de cair, foi direto para o topo”. Renato Russo voltou. Assim, simples assim.