“Sem a Cultura e a Educação, nada” – Danilo Miranda, na FLIP

Com a alma contaminada pelo pensamento de Danilo Santos de Miranda dito no Sesc Paraty durante a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty: as coisas no Brasil só vão melhorar quando a Cultura e a Educação sentarem-se na mesa das grandes decisões do Pais. Está provado que Política e Economia, sozinhas, não resolveram nem vão resolver nada. Tirei as aspas porque são palavras lembradas da sua fala no @SescParaty. Mas quanta sabedoria tem…

O debate foi uma realização da CBL – Câmara Brasileira Do Livro ee contou com a presença do querido Mansur Bassit e Cristina Maseda. A.

 

Quando a literatura ultrapassa o real: Stella Florence e o caso do estupro de LAMM

Aqui, a coluna em “O Globo”. Só teclar AQUI:

E neste ponteiro, a coluna de 24/07, na Rádio BandNews Belo Horizonte: AQUI.

Abaixo, o texto:

Sim, veio da literatura o desfecho do famigerado caso do avô que estuprou a neta. Foi em uma fila de autógrafos de seu novo livro, “Eu Me Possuo”, sobre a superação de um estupro, que Stella Florence tomou conhecimento do drama de LAMM. “Ali, sem anestesia, fui apresentada ao caso de LAMM, que aos 16 anos havia sido estuprada pelo avô que, na época, era Delegado no interior de São Paulo”, revela a escritora. O caso ganhou destaque na imprensa porque o criminoso havia sido inocentado. E o pior: ninguém acreditava nela – afinal, ele havia sido libertado e o preconceito trouxe a mensagem secreta: a menina mentia e, provavelmente, a culpa era dela.

Ali, Stella viu repetida a aflição de incontáveis vítimas que tiveram suas vidas destruídas pela violência sexual e, muitas vezes, pelo silêncio e impunidade. Após duas tentativas de suicídio, depressão, anorexia, automutilação, aquela menina, melhor – aquela vítima – encontrou uma razão de viver: a busca por Justiça. E Stella começou uma corajosa campanha, intitulada #TODASPORLAMM, onde expunha as vísceras do crime e clamava por um novo julgamento. Onde? Nas suas redes sociais, contando com solidariedade de inúmeras pessoas, como a cantora Fernanda Takai e atriz Mariana Xavier.

Depois de três anos de batalhas judiciais e, sobretudo, sofrimento, o estuprador de LAMM foi novamente julgado, condenado, sentenciado a 18 anos e 8 meses em regime fechado e finalmente preso. LAMM hoje, aos 19 anos, está na faculdade, cheia de planos e de vida, sempre pensando em como ajudar outras vítimas no futuro.

Stella às vezes se abate. Sua caixa postal está lotada de mensagens de mulheres que foram assediadas, principalmente na infância (cuidado, pais, atenção!). Chegam a ela dos casos mais sofridos aos mais constrangedores. Outro dia, uma moça a procurou perguntando o que fazer: havia descoberto que seu namorado tinha sido preso por estupro de vulnerável. Como encarar? O livro, a leitura e a literatura, neste campo, vencem. Há que ler, procurar ajuda, apoio, aconselhamento. É duro conviver com este grau de agressão em silêncio. Stella Florence é uma benção para as mulheres sofridas. Que ela tenha força e garra para estar ali, presente, para ajudar, sempre. Até o fim. Até a literatura, como no caso de LAMM, vencer.

A FLIP, bem temperada com raça e gênero, também conta com uma ótima programação paralela

A FLIP está redondinha, este ano. Com autores consagrados e novos, com o tempero exato de raça e gênero, por obra e graça de Josélia Aguiar. Mas o que acontece ao redor da programação oficial é muito legal, também: Casa Publishnews, Câmara Brasileira do Livro, ANL, Cássia Carrenho… e por aí vai. Ouçam o Mondolivro, de Afonso Borges, na Rádio BandNews Belo Horizonte, teclando AQUI.

Na história do Maletta, 5 décadas de pequenas revoluções

Você já sentiu medo de conversar sobre qualquer assunto em um bar? Na época da ditadura militar, isso era a regra. Mas no Edifício Maletta, no centro de Belo Horizonte, a história era diferente. Ali era um oásis cultural, onde escritores, cineastas, atores, músicos, bailarinos e toda sorte da área cultural se encontrava, nas décadas de 60, 70 e 80 para tramar uma provável revolução, ou derrubada dos militares ou apenas uma música, um livro, um filme. A Livraria Eldorado de frente pra Cantina do Lucas, o Lua Nova, Pelicano e, nos arredores, a redação do jornal Estado de Minas e Diário da Tarde, o Suplemente Literário, o Salloon, o cine Palladium, o cine Metrópole, a Faculdade de Direito, na Praça Afonso Arinos… um raro caso de confluência de todas as artes, profissões, sentidos e ações.

Nos tempos atuais, a Rua da Literatura ainda não saiu, mas as livrarias Ouvidor, Quixote e Scriptum continuam fazendo o melhor do sábado de manhã, na Savassi. Uma pena que a Belotur, e o poder público não prestam a mínima atenção nisso….

A dica de livro vai para o recém-lançado “Um Longo Caminho Para Esquecer”, de Adalberto Luiz, editado pela novíssima “Casa Editorial Quixote – Dô”.

Ouçam o bom bate-papo de Afonso Borges, Luciana Vianna e Ike Yagelovic. Só teclar AQUI.

A dimensão planetária de Leonardo Boff (e o Papa Francisco)

Abaixo, o texto da minha coluna no portal do jornal “O Globo”.

Para acessá-la, só teclar AQUI.

Durante toda a ditadura militar, os irmãos Clodovis e Leonardo Boff foram perseguidos pela ala conservadora da Igreja Católica. No centro de tudo, e ao redor, a Teologia da Libertação. Clodovis recolheu-se, mas Leonardo, não. No seu encalço, no Brasil, D. Eugenio Sales e em Roma, ninguém menos que o Cardeal Ratzinger, futuro Papa Bento XVI que, por ironia do destino, foi seu orientador em estudos eclesiásticos. Vieram as sucessivas punições, até a maior delas: fizeram-no sentar na cadeira onde Giordano Bruno e tantos outros hereges, na época da Inquisição, estiveram. E todos sabem que era dali para a fogueira. Não houve a fogueira, claro. Mas o recado foi dado: largava a batina ou seria premiado com a excomunhão.

Há dois anos, Boff estava em Milão para um Congresso quando recebeu, através de um emissário, convite para que visitasse o Papa Francisco no Vaticano. Motivo: ele queria promover uma reparação à injustiça que a Igreja Católica cometeu, no caso da Teologia da Libertação. Leonardo foi para Roma e esperou o chamado para a reunião que, infelizmente, não aconteceu por causa de um Sínodo (assembleia periódica de bispos de todo o mundo que, presidida pelo papa, se reúne para tratar de assuntos ou problemas concernentes à Igreja universal) que se realizava naquele momento. Desde então, Leonardo aguarda um novo convite que virá, com certeza, dada a natureza do Papa Francisco e sua ligação com a Teologia da Libertação. Só para lembrar: o Papa Francisco, em 2015, consultou Leonardo Boff para escrever a sua encíclica sobre o meio ambiente, fato divulgado mundialmente. E, para encerrar: o Brasil e os brasileiros infelizmente, por ignorância, desconhecem a importância e notoriedade de Leonardo Boff na esfera planetária. Ele é referência em conteúdo, inovação e conhecimento, do alto dos seus mais de cem livros publicados. E passou da hora de ser reverenciado como tal no seu Pais de origem. Ou será que vamos precisar da reverência de um estrangeiro, argentino, com as vestes de Papa, para isso acontecer?

Para assistir o trecho do Sempre Um Papo que Leonardo Boff fala sobre o assunto, só teclar AQUI.

O Memorial da Democracia, um genial Portal da história brasileira

Está no ar o Memorial da Democracia, um espaço incrível de consulta sobre a memória brasileira. Em uma plataforma multimídia, é uma verdadeira aula de história, contada como se deve ser: com investigação minuciosa e especializada, feita pela equipe irretocável do Projeto República, liderada por Heloisa Starling. 

A segunda etapa do Projeto será lançada no dia 10 de julho, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, com a presença do ex-presidente Lula e do Governador Fernando Pimentel.

Ouçam o Mondolivro, com Afonso Borges, na Rádio BandNews  Belo Horizonte, que teve a participação de Luciana Viana, Heverton Guimarães e Ike Yagelovic. Só teclar AQUI.

E a dica de livro é “Brasil: Uma Democracia”, de Lilia Moritz Schwarcz e Heloísa Starling

 

 

 

Saldanha, centenário, e seus casos em BH

João Saldanha foi um dos primeiros convidados do Sempre Um Papo. Lotou o “Cabaré Mineiro”, em 1987, para lançar o seu “Meus Amigos”. Até falecer, em 1990, esteve várias vezes em BH. Das muitas boas histórias que este bom amigo me deixou, a mais divertida foi quando o jornalista Carlos Herculano decidiu fazer um almoço para ele. Uma galinhada. Era um domingo, e fomos comprar a galinha no Mercado Central. Mas eu tinha esquecido: era João Saldanha. Parado na porta do Mercado, esperando o Carlinhos comprar as galinhas, em presenciei o amor que o público tinha por ele. Era um amor natural, ele era uma presença em suas vidas quase diária, na tevê, com aquele bordão: “meus amigos”… Depois, fomos almoçar. Nos divertimos, ele contou muitas histórias, a maioria mentira, como sempre. O Carlinhos fotografou tudo. Dias depois, me manda uma foto, com o João mordendo uma coxinha de galinha. E com a seguinte legenda: quem disse que comunista não come criancinha? E tem a história do Tostão… entre outras. Ouçam Afonso Borges na Rádio BandNews Belo Horizonte, teclando AQUI.

 

Papa Francisco vai reparar injustiça contra Boff

O Papa Francisco vai convocar Leonardo Boff ao Vaticano para promover o que ele considera uma “reparação” à perseguição sofrida pelo teólogo brasileiro. Perseguição esta que o fez sentar na cadeira na qual Giordano Bruno e tantos outros hereges, na época da Inquisição, estiveram para se submeterem a um interrogatório que terminava, quase sempre, na fogueira. Boff ali sentou-se para dar esclarecimentos sobre a Teologia da Libertação, da qual ele é um dos ideólogos. Nossa sorte é que o querido ex-Frei não foi queimado – mas forçado a largar a batina, em 1991. Ouçam Afonso Borges na Rádio BandNews Belo Horizonte, teclando AQUI.