Livros para ler em dias de chuva

Belo Horizonte tem passado por um período de chuvas intensas e intermitentes. Para quem tem esse privilégio, é hora de pegar um livro, nesta chuva, e ir pra cama. Aqui estão as dicas de Afonso Borges, ​para quem gosta de livros mais densos:
“Os Sertões”, de Euclides da Cunha
“Lima Barreto – Triste Visionário”, de Lilia Schwarcz
Para os que gostam de livros não tão densos:
Eu recomendo todos os livros de Ana Paula Maia:
“De Gados e de Homens”, “Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos”, “Carvão Animal” e o mais recente,
“Assim na Terra Com Embaixo da Terra”.
Por autores, as recomendações são:
Milton Hatoum
Mary del Priore
Carlos Herculano Lopes
Luis Giffoni
Frei Betto – em especial, os romances
Ouçam Afonso Borges no Mondolivro, da Rádio Band News Belo Horizonte, clicando AQUI
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A literatura na história de Belo Horizonte

No dia 12 de dezembro a capital mineira completará 120 anos. A data, que carrega um grande peso cultural e comemorativo, contará com celebrações em praças, seminários e shows. Nesse contexto, é necessário destacar a importância da literatura mineira na história de Belo Horizonte, de Drummond até autores da atualidade, como Carlos Ávila e Alexandre Marino. Com uma grande carga histórica, Belo Horizonte se vê carente do destaque da literatura em seu aniversário de 120 anos.

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Chico Mendonça estreia em livro de contos

O jornalista e escritor Chico Mendonça lançará seu primeiro livro em breve, intitulado “As Horas Esquecidas”, a ser publicado pela Quixote-Dô. Abaixo,  o texto da contracapa, escrito por Afonso Borges. Ouçam a coluna dedicada ao Chico, no Mondolivro da Rádio BandNews Belo Horizonte.

Quando o jornalismo esquece o tempo factual, se distrai e cria, Chico Mendonça aparece de soslaio. Quando a poesia foge ao lugar comum, encanta a todos e a si própria, surge Chico Mendonça, de repente. Simplesmente quando, vem Chico Mendonça e nos surpreende com esta prosa emocionada, emocionante, pronta para ser degustada sem rodeios. 

“As Horas Esquecidas” é o primeiro dos muitos livros que o bom Chico Mendonça ainda vai nos brindar. Seus contos estão próximos da divisa entre o universo comum, ao nosso redor, e a vida, simbólica e intuitiva, quase metafísica. Ao relatar experiências em permanente reflexão, Chico sabe tocar onde a alma descansa. E faz de novo, e de novo, e de novo, até o livro terminar, sem que a gente sinta este seu terminar. Chico sabe fazer as palavras descansarem para toda a gente se agitar.

 Leiam, rápido, ou devagar. É puro deleite. 

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O sucesso do Fliaraxá 2017

A sexta edição do Festival Literário de Araxá foi, em muitos aspectos, a maior de todas. Recebendo 25.776 pessoas, o festival contou com 5 dias de diversas atrações. Entre elas, 30 grupos musicais se apresentaram, contando com mais de 400 músicos envolvidos. Aproximadamente 18 mil livros foram vendidos. Trazendo gastronomia, literatura, música, cultura e lazer, a sexta edição do festival foi um sucesso.

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O “Papa do Papo”, segundo Humberto Werneck, no “Estado de S. Paulo”

E não é que o Afonso Borges, incansável divulgador da literatura alheia, passou para o outro lado do balcão?

Não, não é assim que se deve dizer.

Incansável divulgador da literatura alheia, o Afonso acaba de instalar-se também no outro lado do balcão.

Ou melhor: com Olhos de Carvão, coletânea de contos lançada pela Record, Afonso Borges está solidificando uma posição que, timidamente, já ocupava no outro lado do balcão.

De fato: Olhos de Carvão está longe de ser a obra de estreia de um autor que, já faz tempo – desde os 18 anos –, vem delivrando escritos seus nas searas da poesia, da literatura infantil e da não-ficção. Tudo, porém, meio na moita, e mais, moita mineira, especialmente densa e enganosa, como se escrever fosse, para ele, habitar de raro em raro um puxadinho de sua atividade principal, a de espalhar por aí boa literatura dos outros.

Difícil, a esta altura, encontrar alguém letrado que ainda não tenha ouvido falar do Sempre um Papo, projeto bolado pelo Afonso Borges, há mais de 30 anos, com o objetivo maior de incentivar a leitura no Brasil. Mas vamos lá, mesmo com o risco de chover no molhado (clichê, apresso-me em dizer, devidamente consignado na página 49 da 2ª edição do meu O Pai dos Burros – Dicionário de Lugares-comuns e Frases Feitas).

Sua fórmula, tão simples quanto bem-sucedida, consiste em botar sob as luzes alguém que esteja lançando livro relevante, e, com direito à participação do público, entabular um papo ao qual se seguirá sessão de autógrafos. Não há hoje editora brasileira que não queira ter autor seu sob aquelas luzes. Se o Chico Xavier, lá onde está, se é que saiu daqui depois de haver desencarnado, vier a psicografar obra que o mereça, é bem provável que o Afonso Borges mande instalar mesa branca no auditório. E, magnânimo, aceitará que baixe ali, numa versão incorpórea, até mesmo o espírito espirituoso de Millôr Fernandes, que, ainda na versão carne e osso, faltou, sem avisar, ao compromisso que tinha com uma casa apinhada, deixando o anfitrião Afonso no aperto que se pode imaginar.

Nada escapa ao bom faro de quem, nessas três décadas de Sempre um Papo, ao longo de nada menos de 6 mil eventos, provocou a palavra de milhares de autoras e autores, entre eles dois premiados do Nobel, José Saramago e Mario Vargas Llosa. Feito maior, só se o Afonso convencesse (não duvido) o Jorge Mario Bergoglio, codinome Francisco, a se abalar de Roma para um Sempre um Papa.

Mas o assunto, aqui, não é um projeto que, nascido num boteco de Belo Horizonte em 1986, tem hoje abrangência nacional – já acendeu suas luzes em algumas dezenas de cidades em 8 estados brasileiros, e até mesmo, por um ano, na Casa de América, em Madri. Suas noitadas, neste momento, fazem parte também da programação do Sesc Bom Retiro, em São Paulo. O assunto não é, tampouco, um evento anual como o Fliaraxá, por ele implantado no Triângulo Mineiro em 2012, cuja edição 2017, com estrelas como Mia Couto, encerrou-se no domingo passado. Mas o assunto, aqui, é outro, é o Afonso Borges escritor, aquele que agora pisca para o leitor com Olhos de Carvão.

E, de cara, me pergunto onde é que esse bicho-carpinteiro da literatura arranja tempo também para escrever, envolvido que está como atividades que, além das já citadas, incluem redigir e ler no rádio suas colunas do Mondolivro, além daquelas que produz como colunista do portal O Globo. (Esqueci alguma coisa, Afonso? Carta à Redação, por favor.).

Curiosamente, os 26 escritos que ele reuniu em Olhos de Carvão não parecem ter sido produzidos nos breves espaços que lhe permite sua maratona de agitador e promotor cultural. Sem pretensão a alta literatura, são histórias, vinhetas, flagrantes captados por um observador sagaz & capaz, dotado para ver o que há por detrás das aparências, e para destilar seus achados, não raro sutis, com a mão delicada e bem-vinda economia de palavras. Coisa de cineasta afiado, pensei ao ler Olhos de Carvão.

Afonso Borges, felizmente, não se mete a revolucionar a arte literária, nem se propõe a convulsionar a sintaxe, com o risco de destroncar os miolos do pobre leitor, como também não se aventura a sacar conclusão ou moral da história. Limita-se a mostrar. Aquilo que João Cabral de Melo Neto volta e meia dizia, adaptando frase de Paul Eluard: escrever é dar a ver com palavras. (Mas nem por isso, pelo amor de Deus, mera reprodução jornalística da chamada realidade). Dizia também que não deve o poeta “perfumar sua flor”, “poetizar seu poema”. Não sei se Afonso Borges, em sua atravancada rotina de difusor das letras, já encontrou tempo e sossego para ler “Alguns toureiros”, de João Cabral, mas sua preocupação me parece ser a mesma ali expressa: não forçar a mão. O leitor que se vire.

Se assim é, não me peça que aponte as minhas preferidas entre as 26 histórias de Olhos de Carvão. Até porque me parecem todas elas merecedoras de leitura. A lamentar, apenas a circunstância de que o Afonso Borges não possa convidar a si mesmo para um Sempre um Papo. Posso garantir que seria um sucesso.

 O Estado de S. Paulo, 21/11/2017, por Humberto Werneck 

Experiências comoventes no Fliaraxá VI

Hoje (17) completa-se o terceiro dia do Festival Literário de Araxá. O evento, que está acontecendo no Tauá Grande Hotel de Araxá, em três dias já proporcionou momentos comoventes, como o depoimento de Patrícia Couto, sobre a guerra Guerra Civil Moçambicana. O festival trará nos próximos dias diversas atrações, entregas de prêmios e shows, e já conta com algumas surpresas.

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Inauguração do 6º Fliaraxá – 15/11/2017

Foi inaugurado na quarta (15) o Festival Literário de Fliaraxá. O festival, que está em sua sexta edição, traz uma enorme variedade de atrações. Conta com uma enorme livraria de 600m² com preços acessíveis, gastronomia e grandes nomes da literatura em sua programação, como Mia Couto.

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45 anos sem Torquato.

O grande poeta e letrista do MPB foi uma enorme influência artística, social e crítica na década de 60. Compositor de importantíssimas canções do movimento tropicalista, trabalhou com grandes ícones como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Geraldo Azevedo.  A Editora Autêntica lançou ontem o livro “Torquato Neto – Essencial”, organizado por Ítalo Moriconi. Hoje completam-se 45 anos de morte de Torquato Neto, que estaria fazendo 73 anos ontem (dia 09/11).

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“Rodas de Leituras”, do Servas, continua tocando corações e mentes

O projeto “2a Chance – Rodas de Leituras” continua tocando corações e mentes. Leiam a coluna de Humberto Werneck, no “Estado de S Paulo”. No dia 31/10, aniversário de 115 anos de Drummond, ele visitou a Penitenciária José Maria Alkimim, no município de Neves. A barra estava pesada, um preso havia se suicidado. Ainda assim, leiam o belo relato do biógrafo de Drummond. #Drummond115.

Sem literatura, o ENEM fica sem ética, sem moral, sem solidariedade.

Ainda meio impactado com a ausência da exigência da leitura de livros literários para a prova do ENEM, caiu-me na tela o discurso de Mia Couto, ao receber o título de “Doutor Honoris Causa”, na Universidade Politécnica de Maputo, em 2015. Recolhi um trecho que fala por si, e nada mais tenho a acrescentar. Leiam, por favor.

“Caros amigos

Irei falar sobre a erosão dos valores morais e de como pode um escritor ajudar na reabilitação do tecido moral da sociedade.

Escolhi este tema porque não conheço ninguém que não se lamente da perda de valores morais. Este é um assunto sobre o qual temos um imediato consenso nacional. Todos estão de acordo, mesmo os que nunca tiveram nenhum valor moral. E até os que tiram vantagem da imoralidade, até esses, depois de lucrarem com da ausência de regras, se queixam que é preciso travar a falta de decoro.

Um dos caminhos que nos pode ajudar a resgatar essa moral perdida pode ser o da literatura. Refiro-me à literatura como a arte de contar e escutar histórias. Falo por mim: as grandes lições de ética que aprendi vieram vestidas de histórias, de lendas, de fábulas. Não estou aqui a inventar coisa nenhuma. Este é o mecanismo mais eficiente e mais antigo de reprodução da moralidade. Em todos os continentes, em todas as gerações, os mais velhos inventaram narrativas para encantar os mais novos. E por via desse encantamento passavam não apenas sabedoria mas uma ideia de decoro, de decência, de respeito e de generosidade.

Há certa de trinta anos atrás Graça Machel – que era então Ministra da Educação – convocou um grupo de escritores para lhes dizer que estava preocupada. Estou preocupada, disse ela, estamos a ensinar nas escolas valores abstractos como o espírito revolucionário, do patriotismo, o internacionalismo. Mas não estamos a ensinar valores mais básicos como a amizade, a lealdade, a generosidade, o ser fiel e cumpridor da palavra, o ser solidário com os outros. E ela pediu-nos que escrevêssemos histórias que seriam publicadas nos livros de ensino. Graça Machel tinha a convicção que uma boa história, uma história sedutora, é mais eficiente do que qualquer texto doutrinário.

Eu queria ilustrar o poder das histórias com dois pequenos exemplos. Nestes próximos momentos partilharei convosco duas vivências e o modo como essas experiências produziram em mim duradouras lições.”