“Melhor ser otimista em pânico”, como dizia Wander Piroli

Conversa boa semana passada com o Carlos Nagib, diretor do Centro Cultural Banco do Brasil de BH, na estreia do espetáculo “A Hora Amarela”. Na mesa, mas em pé mesmo, postas dúvidas sobre os motivos da queda de público nos eventos culturais deste ano. Falta de grana? Pode ser. Mas não explica. Casas modestas com entrada franca, também. Mesmo os com ingressos subsidiados, audiência em queda. Baixo astral com a política? Pode ser. Mas não é suficiente.

O CCBB-BH é um oásis europeu em BH. Aquele pátio interno, com os bons serviços dos restaurantes ali instalados, as mesas ao centro, os espaços cênicos, a livraria. Deu vontade de ligar para o João Paulo Cunha, jogar conversa fora, elaborar uma teoria ou mesmo formar uma opinião que dê descanso à mente. Vou fazer isso um dia. João saiu do Estado de Minas de um jeito que dá vergonha ao jornalismo. Em contraponto, um animado Fernando Pimentel me contou que ia convidá-lo para o BDMG Cultural. Melhor para todos nós, João é destes indispensáveis. E já tem casa nova para mostrar suas ideias: o jornal Brasil de Fato.

Mas porque, afinal, o público está deixando de sair? Atrações não faltam. Antonio Fagundes, recentemente, trouxe o extraordinário espetáculo “Tribos”, produção do “Teatro em Movimento”. Lotou, sim. Mas lenta e silenciosamente.

Já vivi tempos nos quais as produções do ator eram esperadas em Belo Horizonte. Excesso de atrações? Sim, pode ser.

Já presenciei finais de semana iguais às programações de Rio e São Paulo. Fica, novamente, a opção do baixo astral político na pauta.

Com tanto escândalo, notícias ruins, melhor ficar quieto em casa. Será? Não deveria ser o contrário? As pessoas procurarem mais entretenimento?

Em outra ponta, ali pertinho, a Mineiriana fechou. Mas parece que virá outra no lugar. Li de tudo nas redes sociais sobre isso. Tive livraria durante dez anos. Cheguei a ter cinco de uma só vez. Acredito em movimento, em rotação. Livraria é um negócio que não evoluiu. Desde os primórdios, na hora de fechar o mês, tem que descer todos os livros da estante para contar. Não há que ser pessimista. Melhor ser otimista em pânico, como me dizia Wander Piroli.

A Secretaria de Cultura informou que acabou o teto da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Ano passado, acabou em agosto. Agora, em março. Fim do mundo? Não.

Vem aí uma avalanche de projetos já aprovados. Difícil será o ano que vem. Mas temos a nosso favor um experiente Secretário, Ângelo Oswaldo. Com a boa notícia da temporada, a escalação de Michelle Arroyo para a coordenação do Circuito Cultural Praça da Liberdade.

Só vejo ventos bons soprando. Mas e então? Porque as pessoas estão frequentando menos os espaços culturais? Alguém me diz?

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