Dicas de lançamentos que vão “bombar” no segundo semestre

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Hoje vou passar dicas de livros que vão bombar neste segundo semestre. Quse todos estão programados para sair na 17a. Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que vai acontecer entre 03 e 13 de setembro.  Vamos lá.

Mary Del Priore leva o prêmio de melhor título do ano com o “Beije-me Onde o Sol Não Alcança”, que já tem data de lançamento em Belo Horizonte: dia 23 de setembro, no MM Gerdau. Sai pela Planeta.

Lya Luft, lança “Paisagem Brasileira”. Segundo Lya, não são crônicas e sim relatos de como ela vê o Brasil atual. Meio de brincadeira, ela diz que podem ser “crônicas alongadas” ou “crônicas do espanto”. Deve chegar nas livrarias no início de outubro, segundo Carlos Andreazza, editor da Record.

Fernando Bonassi já está com o seu novo romance na praça, chamado “Luxúria” – também pela Record.

Pela GloboLivros, sai o novo livro de Laurentino Gomes, intitulado “O Caminho do Peregrino”, em co-autoria com Osmar Ludovido. O autor dos mega-sucesos “1808”, “1822”e “1889”, campeão de vendas, voltou!

Um dos jovens talentos da atualidade, Raphael Montes, lança seu novo policial, “O Vilarejo”, editado pela Companhia das Letras. E com data marcada para BH: dia 15 de setembro, no MM Gerdau, pelo Sempre Um Papo. Anotem aí, quem gostou de “Dias Perfeitos”.

Xico Sá também de livro novo, pela Record. Ele me falou o título, mas esqueci. Sei que ele completa a trilogia iniciada com “Modos de Machdo e Modinhas de Fêmea” e “Chabadabadá”. Vem coisa boa aí, sem dúvida. E já vou avisando: o lançamento nacional vai acontecer aqui, entre nós. Ele me disse que dá sorte.

O desenhista Mauricio de Souza finalmente vai realizar o seu sonho, de ser escritor. Explico: durante 40 anos, seus contratos o impediram de publicar livros convencionais. Só revistas. Agora, ele lança na Bienal diversos títulos. Na verdade, a vida começa aos oitenta. E ele já tem contrato com nada menos que 23 editoras. 23 editoras. Nada mal para um escritor iniciante, né?

E para finalizar, um que já foi lançado, mas estou doido para ler:

o novo livro da Daniela Arbex, autora de “Holocausto Brasileiro”. Chama-se “Cova 312: a longa jornada de uma repórter para descobrir o destino de um guerrilheiro, derrubar uma farsa e mudar um capítulo da História do Brasil”, editado pela Geração Editorial.

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Continuação da lista de livros não obrigatórios para o ENEM e vestibulares de todo o país

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Ontem falamos sobre a inexistência de leitura obrigatória para as provas do vestibular e do ENEM. A ouvinte Priscilla Rafaelle elogia o comentário, e classifica como uma “grande tristeza saber sobre estudantes que ingressam na universidade e muitas vezes nunca ouviram falar de nossos brilhantes autores brasileiros. Diz que leu várias livros para os vestibulares que fez. A Priscila faz uma ponderação interessante, que ilustra bem esta questão. Abaixo o e-mail dela:

“Na época de estudante, imatura como era, achava um absurdo ter que estudar tanto e ainda ler as obras concomitantes. Hoje percebo claramente como fui beneficiada pelo processo de estudo para ingresso no vestibular, porque o conhecimento que adquiri me beneficia até hoje. O vestibular no ano em que ingressei na universidade tinha na lista o estupendo Grande Sertão Veredas, de João Guimarães Rosa, escrito em 1956. Foram tantas lágrimas que li o primeiro capítulo umas 6 vezes, emocionando-me repetidamente. Parece um retrocesso essa forma de avaliação usada atualmente pelo MEC.  Abraços, adoro a CBN BH!” Priscila Rafaelle

Já o Andrei Soares, pelo Twitter, diz que leu “O Menino Maluquinho” obrigado e se reconheceu no texto. Também pelo Twitter, Rodolfo Viana, da Revista Benedito, considerou a lista do comentário de ontem exemplar.

E eu acrescento à lista imaginária de livros para o ENEM e o vestibular, mais cinco:

1) “O Encontro Marcado”, de Fernando Sabino
2) “A Paixão Segungo G. H.”, de Clarice Lispector
3) “O Desatino da Rapaziada”, de Humberto Werneck
4) “Chatô, o Rei do Brasil”,  de Fernando Morais
5) “O Cheiro de Deus”, de Roberto Drummond

Anotaram? Emails e sugestões para mondolivro@cbn.com.br

Lista de livros não obrigatórios para o ENEM e vestibulares de todo o país

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Saiu a lista de livros obrigatórios para o vestibular da UFMG e o ENEM. Mentira, gente, estou brincando, antes que o susto venha. Todos sabem que não existe mais lista de livros obrigatória. Como eu acho um absurdo intergaláctico os inteligentes do Ministério da Educação acabar com esta lista, eu decidi criar a minha que, certamente, vai auxiliar quem vai fazer vestibular.

Vamos lá, aqui segue a lista de livros não obrigatórios para o ENEM e  vestibulares de todo o país.

1) “Jorge, Um Brasileiro”, de Oswaldo França Júnior
2) “Dom Casmurro”, de Machado de Assis
3) “Dois Irmãos”, de Milton Hatoum
4) “Index”, de Bartolomeu Campos de Queirós
5) “1968, o Ano que Não Terminou”, de Zuenir Ventura
6) “Poesia Reunida”, de Adélia Prado
7) “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos
8) “Fernando Pessoa, uma Autobiografia”, de José Paulo Cavalcanti F
9) “Feliz Ano Velho”, de Marcelo Rubens Paiva
10 ) “O Cobrador”, de Rubem Fonseca

Esta lista tem um pouco de tudo: os clássicos de Machado de Assis e Graciliano; realidade brasileira, nos contos de Rubem Fonseca; política e contemporaneidade, com Zuenir Ventura e Marcelo Rubens Paiva; qualidade de textos e excelência com Milton Hatoum e Oswaldo França Júnior; a poesia de Adélia Prado e  prosa poética maravilhosa de Bartolomeu Queirós. Além da aventura jornalístico-literária de José Paulo Cavalcanti Filho na busca da história da vida de Fernando Pessoa.

Como eu disse, esta é uma lista não obrigatória para o ENEM e os vestibulares pelo País. Os professores, as universidades e o Ministério da Educação dizem o contrário, mas o fato é que o estudante empobrece sem a lista obrigatória. Muitos autores desta e de outras gerações só foram lidos por causa da lista. Muitos leitores desta e de outras gerações só se formaram por causa da lista. Num país onde cresce o analfabetismo funcional, isso é triste.

Por isso, amanhã, vou fazer outra lista. E conto com a indicação de vocês. Qual o livro que você mais gostou de ler – mas tem que ter lido como obrigação. Mandem pelo twitter @cbnbhz ou @mondolivro. Ou pelo email mondolivro@cbn.com.br

Os principais lançamentos literários do 2º semestre de 2015

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Hoje vou fazer um apanhado rápido dos principais lançamentos de livro deste semestre.

O primeiro deles, sem dúvida, é “História do Futuro”, da colega de rádio Miriam Leitão. É um livro que mostra sua visão dos desafios que o Brasil vai enfrentar nas próximas décadas. Ah, é um livro otimista, antes que alguém se manifeste, sem ler.

O mundo infanto-juvenil está em total alvoroço com as quatro mulheres fantásticas reunidas em um só livro. Thalita Rebouças, Paula Pimenta, Babi Dewet e Bruna Vieira estão juntas em “Um Ano Inesquecível”. Uma jogada de mestre de Rejane Dias, editora da Autêntica.

Jacques Fux inventa uma brincadeira de ficção-realidade para falar do mais inesperado e amedrontador acontecimento do mundo masculino: a brochadas. E o livro tem este título: “Brochadas”.

No prelo, sendo trabalhado pelo editor Carlos Andreazza, o novo livro de Lya Luft, que vai reunir os textos publicados na revista “Veja”.

Mary Del Priore se reinventa e manda para as livrarias seu primeiro livro de ficção, depois de mais de 40 livros históricos. O título é sensacional: “Beije-me Onde o Sol Não Alcança”. Um texto sobre a história de um conde russo que baixou aqui, em Ribeirão Preto, no final do século dezenove e deu o golpe do baú em uma senhorinha filha de um barão do café.

Tania Zagury, autora dos clássicos sobre adolescentes, entre eles, “Limites Sem Trauma”, pega na veia com o livro que o título que já diz tudo: Filhos adultos mimados, pais negligenciados: Efeitos colaterais da educação sem limites”.

Guiomar de Grammont, curadora da FLOP, Festival de Ouro Preto, lança o romance “Palavras Cruzadas”.

Fabrício Carpinejar manda para as livrarias um livro que sobre o que ele mais gosta de falar: “Para Onde Vai o Amor”. Com lançamento marcado em BH no dia 20 de agosto, no MM Gerdau, na Praça da Liberdade.

Para encerrar, Ana Martis Marques lança, no dia 29 de agosto, seu novo livro de poemas pela Companhia das Letras, intitulado “O Livro das Semelhanças”.

Educação Digital é a solução para hiperconexão

Rodapé_MondoLivro - Boletim literário na Rádio CBNDe posse do resultado da pesquisa onde 77% dos jovens entre 10 e 17 anos acessam a internet pelo celular, decidi fazer mais alguns comentários. O mais grave é que a pesquisa conseguiu aferir que um número imenso de crianças entre 10 e 13 anos acessam incessantemente o celular. Vem cá, gente, não tem briquedo na casa destas pessoas? Eu estou cansado de ver pais levarem crianças para um restaurante e colocar um ipad ou celular na mão deles e passarem o jantar inteiro grudado na tela.

O comportamento destes pais irresponsáveis é sempre o mesmo: absortos, pensando em outra coisa e, muitas vezes, eles mesmos entregues a esta nova praga moderna.

A coisa piora entre 15 e 18 anos, onde o percentual de jovens que acessa internet por celular sobe para 82%. Ou seja, todo jovem desta idade tem condições de acessar qualquer site pelo celular. Opa, vamos parar aí. Se ele acessa qualquer site pelo celular, voltamos ao início e o perigo de alerta se instala. Eu disse que este jovem pode acessar qualquer site, não disse? Então vale o Netflix, onde a moçada está assistindo todas as séries violentas e extremamente sexualizadas – pelo celular. Eles podem acessar o Youtube, que tem desde música sertaneja de péssima qualidade até execuções sumárias da Estado Islâmico. A última que vazou mostra crianças degolando prisioneiros. Isso pode ser visto pelos celulares de 82% dos jovens brasileiros? Pode, sim. Outro dia, descobri que minhas duas filhas já assistiram aquele idiotice do “50 Tons de Cinza”. Cenas fortes de sadomazoquismo sexual. E aí? Como fica? Qual a solução? Educação, cultura, atenção, controle, entrega dos pais. É fácil? Não. Mas como dizem os ingleses, quem disse que seria fácil?

Vale tudo, nesta nova proposta: por que empresas de tecnologia não se propõem a fazer cursos sobre o uso adequado dos celulares? Mas cursos para pais, jovens e, lamentavelmente, crianças. Gente, o segredo é conhecer o bicho de perto. Ler a bula, experimentar o remédio, por mais amargo que ele seja. O brasileiro não é especialista em economia? Não entende mais de futebol que os técnicos? Por que não entender do funcionamento dos celulares, dos aplicativos e das redes sociais? Isso é mole? Mais: escolas, educadores, professores, secretaria de educação, ministério da educação, se toquem: praticamente todos os jovens brasileiros acessam internet pelo celular.

Por que não inventar um disciplina que discuta a tecnologia, redes sociais, cibernética e eletrônica desde cedo?? Ao lado disso, colocar na pauta os excessos, para ensinar o cuidado. Cyberbylling, sexting, invasões, maldades de todo o tipo estão por ali. Mas nada de alarme, tem música de qualidade, tem aplicativos inteligentes, tem muita coisa boa também. Só temos que ensinar a separação bíblica do joio do trigo. Vamos lá?

Os jovens estão cada vez mais na internet. E os livros, como ficam?

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Gente, agora foi. Pais, mães, professores, não dá mais para vacilar. A Unicef lançou uma campanha que se chama “Internet Sem Vacilo”. Por que? Por causa dos resultados de uma pesquisa que mediu o uso e os hábitos dos jovens em relação às tecnologias de informação e de comunicação. Resultado: quase toda moçada entre 10 e 17 anos, acessam a internet pelo telefone celular. Isso mesmo – esqueçam os computadores. Estamos falando de dados impressionantes. Vejam:

De acordo com a pesquisa TIC Domicílios 2013, do CETIC.br, 77% de todos os jovens brasileiros entre 10 e 17 anos acessam a internet pelo celular. São quase 21 milhões de pessoas no Brasil. Destes, 81% utilizam a rede todos os dias. Todos os dias.

A pesquisa indica outros dados: o quarto é o lugar da casa mais usado pelos usuários dos dispositivos móveis. E o uso dos tablets cresceu, também. Inversamente proporcional ao uso de PCs, que caiu. Mas o que estes jovens seres humanos mais acessam? Redes Sociais. Com estrondosa preferência para o uso do Facebook. Instagram e Twitter tem pouco uso.

Mas o mais importante desta pesquisa é que ela indica o grau de segurança que a moçada pratica: nenhum! Estão expostos a todo tipo de grosseria, porque não sabem bloquear usuários, a invasões a suas fotos e vídeos e, principalmente, o uso de informações pessoais por outros.

Por isso, a Unicef, o Google e a ONG Safernet Brasil lançou a campanha “Internet Sem Vacilo” para promover o uso responsável das redes pelos jovens. O que falta? Informação. Falta ler a bula. Falta aprender a usar. É a única maneira de combater o cyberbulling e sexting. Para quem não sabe, sexting é um anglicismo que refere-se à divulgação de conteúdos eróticos e sensuais nos celulares.

Mas o que a leitura e o mundo do livro tem a ver com isso? Tudo. O indicativo que os jovens estão acessando a internet por celulares nos leva a promover ações educativas, cada vez mais potentes, por este meio. Sugestões: dicas de português, mini-contos, leituras breves, enfim, pais e educadores: não adianta proibir seus filhos de ficar nos celulares – ensinem eles a se protegerem. Mas vale dicas reais para o mundo virtual: dividam o tempo entre os dispositivos móveis, eletrônicos, e os dispositivos móveis de papel: os livros. Ambos são wireles.

Só que um trata o corpo e outro, o bom e velho livro, trata a alma. Ligados?

A aprovação da PEC que reduz a maioridade atinge em cheio a leitura, a cultura e a educação

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A aprovação da PEC, ontem, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos atinge, em cheio, a leitura, a cultura e a educação. Atinge em vários sentidos. A leitura, por ser civilizatória, a cultura, por ser universal e a educação, por ser humanista. A cada adolescente que for para uma Penitenciária, mesmo que separados dos maiores de 18, como manda a PEC, o Brasil perde um leitor, perde um espectador, o Brasil perde um estudante. Ele já terá se perdido antes, dirão alguns – antes de ter cometido os crimes que o colocaram na cadeia. Mas se estamos na terra das hipóteses, e se antes, antes dos crimes, ele tivesse tido leitura, cultura e educação? Aí eu saio do terreno das hipóteses e afirmo com toda certeza: este adolescente não seria criminoso se tivesse conhecido a leitura, a cultura e a educação. O rapper MV Bill cansa de afirmar que os livros o tiraram do crime. Que os livros o salvaram. Tico Santa Cruz já disse mil vezes sobre a importância da literatura na formação do caráter. Hoje, Tico é escritor, com 3 livros publicados. Roberto Carlos Ramos fez da sua experiência como menor infrator e sua convivência com sua mãe francesa, que o recuperou, uma cruzada pela educação e cultura.

Ao contrário do bom senso, dos milhares de exemplos, do bom caminho e do bom combate – como escreveu Paulo Coelho – a Câmara dos Deputados, ontem, decidiu pela barbárie, dedidiu pela vingança, decidiu pela ignorância. Decidiu por jogar atrás das grades – num país com penitenciárias superlotadas – adolescentes que poderiam sim, ter recuperação. Agora, não mais. Se condenados, ficam, no máximo, 10 anos na jaula. Aí sairão, aos 26, 27, no auge da juventude e seguirão qual caminho? O da criminalidade, escola que vão se aprimorar, na outra escola, a da cadeia. E na cadeia não tem leitura, não tem cultura e não tem educação. Afinal, os adolescentes vão ficar na cadeia especial, separados dos presidiários, apenas até 18 anos. Depois, aquele rapaz vai conviver com o pior dos mundos, o das facções criminosas.

A Câmara dos Deputados, liderados pelo famigerado Eduardo Cunha, fez um belo desserviço à juventude brasileira. Mas fez pior à leitura, à cultura e à educação no Brasil. E como tudo tem o reverso da moeda, fez pior e aumentou a responsabilidade dos educadores que, certamente, responsáveis como são, já estão pensando como atuar juntos a estes jovens condenados. Seguimos, assim, perdendo coisas que já tínhamos conquistado, como disse, em uma coluna anterior.

Uma carta aos jovens de Belo Horizonte sobre o FLIBH

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Esta é uma carta dedicada aos jovens. Jovens que podem até um pouco de cabelo branco, não tem problema. Moçada, orgulhem-se: Belo Horizonte tem um papel fundamental na história da literatura brasileira. Imaginem a cena: um de vocês olhando pela fresta da janela da Câmara Municipal, que ficava no prédio onde funciona hoje o Centro de Referência da Moda, na esquina de Rua da Bahia com Avenida Augusto de Lima. É um dos poucos  exemplares da arquitetura neogótica de inspiração portuguesa, construído em 1914. Aí vocês vêem um grupo de pessoas passar. O ano era 1924 e os passantes eram Mário,  Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, capitaneados pelos jovens Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Martins de Almeida e Emílio Moura. Junte a esta turma Aníbal Machado, João Alphonsus de Guimaraens e Cyro dos Anjos. Colados neles, Milton Campos, Pedro Aleixo , João Pinheiro Filho e Gustavo Capanema. Drummond viveu em BH até 1932, quando foi para o Rio de Janeiro, trabalhar com o então Ministro da Educação, Gustavo Capanema. Pedro Nava foi atrás. Guimarães Rosa morou e formou-se em Belo Horizonte, até seguir carreira diplomática. Mais à frente, na década de 40, reuniram-se no Grupo Escolar Afonso Pena, ali na Avenida João Pinheiro, Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino. Ao lado deles, Autran Dourado. Todos foram para o Rio de Janeiro seguir carreira. Mais à frente, no final da década de sessenta, reuniram-se ao redor de Murilo Rubião e Guy de Almeida, Humberto Werneck, Otávio Mello Avarenga, Fernando Gabeira, Sérgio Santanna, entre muitos.

Isso é para dizer que Belo Horizonte formou a mentalidade de alguns dos mais importantes nomes da literatura brasileira do século XX. Aqui eles estudaram, aqui se formaram, aqui construíram seu caráter e personalidade. E eu não estou inventando nada. Está tudo registrado no livro “O Desatino da Rapaziada – Jornalistas e Escritores em Minas Gerais”, de Humberto Werneck, publicado pela Companhia das Letras. É uma leitura indispensável. E é isto que o I Festival Literário Internacional de Belo Horizonte vem lembrar. Que nossa cidade literária formou várias gerações de intelectuais que saíram daqui, principalmente para o Rio de Janeiro, para estruturar o pensamento brasileiro, a política brasileira e a boa  literatura brasileira.  Orgulhem-se, jovens de Belo Horizonte. E honrem a tradição, lendo. Lendo muito, e sempre.

Afonso Borges

BH Cidade que mais lê no Brasil. Na pauta, “Ler é Viver” e “Leve Um Livro”

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Continuo, feliz, informando as boas iniciativas de incentivo à leitura que fizeram de Belo Horizonte a cidade que mais se lê no País.

O Instituto Gil Nogueira criou, há oito anos, o projeto “Ler é Viver”, inscrito nas leis federal e estadual de incentivo à Cultura. Atua em 30 escolas públicas do Estado, colocando a meninada do ensino fundamental para ler, com o auxílio luxuoso dos professores. Todo semestre são distribuídos 50 obras infantis para cada turma destas escolas, atingindo cerca de 30 mil alunos, segundo estatísticas do próprio Instituto. Aí os professores estimulam redações e interpretações de texto. Ao final do semestre, uma equipe do Instituto Gil Nogueira avalia os alunos e os que mais leem recebem premiações. O resultado deste semestre já está pronto e vai ser divulgado agora, no dia 26 de junho.

E o esquema é bem legal: A premiação é feita por categorias: aqueles que tiverem bom rendimento de leitura e interpretação de 8 a 24 livros são classificados na categoria bronze. Os que tiverem rendimento de 25 a 39 livros, prata. E aqueles que atingirem a marca de 40 a 50 livros lidos, recebem classificação ouro. E ainda as crianças que lerem e interpretarem os 50 livros, recebem uma medalha de campeão de leitura. Portanto, meninada, vamos ler 50 livros!! E parabéns à Patrícia Nogueira, gestora do Instituto Gil Nogueira, pela iniciativa. Mais informações no site ign.org.br

Palmas também para a escritora Ana Elisa Ribeiro, que toca, junto com a Fundação Municipal de Cultura o projeto “Leve Um Livro”. É simples: os coordenadores convidaram 24 poetas de todo o Brasil para publicar um livro com dois poetas por mês, ao longo do ano, em edições exclusivas. Os livros, com a tiragem maravilhosa de 5.000 exemplares, são distribuídos gratuitamente, em 20 pontos de Belo Horizonte. E a boa notícia: não é devezemquandário, uma brincadeira que a gente faz quando a revista, ou jornal, não tem periodicidade, sai de vez em quando. Segundo Ana Elisa, sai religiosamente, todo mês, já está no número 14 e tem muitos anos garantidos pela frente. Portanto, parabéns! Mais informações no site leveumlivro.com.br

Minha indicação de hoje é um livro que ainda não li. Chama-se “Xadrez”, é de Ana Elisa Ribeiro e será lançado neste sábado, dia 20, às 11h, na Livraria Scriptum. Vou estar lá!

As iniciativas de leitura que tornam Belo Horizonte a capital que mais lê no País

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Dando sequência ao Mondolivro de ontem, falo sobre as iniciativas de leitura que tornam Belo Horizonte a capital que mais se lê no País, segundo pesquisa do IBOPE.

A Academia Mineira de Letras, em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, promove o Ciclo de Conferências Sobre a História da Mídia em Minas Gerais. Ontem, terça-feira, foi a vez de Dídimo Paiva. Hoje, às 19h30, um encontro imperdível com o jornalista José das Dores Vital, o JD Vital, que tem em sua extensa bagagem uma passagem importante no Governo de Minas, na gestão de Tancredo Neves. Hoje ele é assessor de comunicação da CBMM – Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração e autor de dois importantes livros-reportagem sobre a Igreja: “Quem Calcará as Sandálias do Pescador” e “Como se Faz um Bispo – Segundo o Alto e Baixo Clero”. Eu estarei lá, na primeira fila.

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