Qual será o segredo de “O Amargo e o Doce”, de Fuad Noman

Na coluna do @Mondolivro, Afonso Borges fala sobre um novo romancista que surge: Fuad Noman. Abaixo, o texto da contracapa, que esconde um segredo: Lorraine. Ouçam, teclando AQUI.

Cadim, garçom do Tizé, é neto do Coronel  Leocádio, poderoso fazendeiro. Seu pai, Deocleciano, dado a pintura e poesia, é rejeitado pelo avô.

Noite destas, Cadim conhece uma atriz do Rio de Janeiro, de passagem. Apaixonado, vai ao seu encontro, conhece o amargo, acaba ficando.

Anos depois, volta para BH, o reinício, a surpresa. No retorno, o doce.

Uma história comum. E extraordinária.

Mais informações, só ir no site do Sempre Um Papo.

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As guerras que o Brasil lutou, de 1864 a 1964, em exposição e livro, no IMS – Rio de Janeiro

Bastam uma exposição e um livro para acabar com o papo furado de dizer que brasileiro é um povo pacífico. E mais: contribui para entender a beligerância que rola hoje no País.  Corram no Instituto Moreira Salles – IMS, no Rio de Janeiro, e vejam a exposição “Conflitos: Fotografia e Violência Política no Brasil”, em cartaz entre 14/12 e 25/02.  Depois São Paulo. Belo Horizonte, que pena, não se sabe quando virá, ou se virá: a sede do IMS, num lindo prédio na Av. Afonso Pena, foi fechado, há anos e emprestado para a Fundação Clóvis Salgado. Uma pena, afinal, foi em Minas Gerais que nasceu o seu fundador, o Embaixador Walther Moreira Salles. Ouçam AQUI o comentário de Afonso Borges na Rádio BandNews Belo Horizonte, no programa Mondolivro.

A dica de livro é a edição comemorativa de 20 anos de “A Águia e a Galinha”, de Leonardo Boff, pela Vozes.

Ao revelar a verdadeira história do Brasil, a UFMG sentou, assim como Leonardo Boff, na cadeira de Giordano Bruno

Uma linha de raciocínio: a ditadura fez de tudo para esconder, a todo custo, e de todos, os verdadeiros acontecimentos durante este período. Este foi o grande legado de Golbery do Couto e Silva, seguido à risca por todos. Máximas como a negação da tortura, da guerrilha, dos mortos e desaparecidos são o lugar-comum. Aí vem René Dreyfuss, descobre e prova a influência do IPES (Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais), uma organização político-militar transnacional que, aliada às elites orgânicas, promove o Golpe de 64. Paralelamente, Heloisa Starling mostra, em “Senhores das Gerais – Os Novos Inconfidentes e o Golpe de 64”, como este modelo se conjurou em Minas, livro lançado em 1986.

Continuando a linha de raciocínio: 2017, Lilia Scharcwz e Heloisa Starling lançam o belíssimo trabalho “Brasil: Uma Biografia”, um braço da pesquisa do Projeto República. Outras partes do corpo são o Memórias da Ditadura e o Memorial da Democracia. Projetos de assombrosa pesquisa sobre a vida recente brasileira do ponto de vista dos fatos reais. Nada de esconder a verdade da história. E que tem como foco principal o suporte ao ensino nas escolas. E isso é tudo que o projeto da ditadura militar não queria, não quis e fez de tudo para esconder. Ali estão as principais discussões e recomendações da Comissão Nacional da Verdade, as violências de Estado, a Justiça de transição, a perseguição aos movimentos negros, indígenas e LGBTs, enfim, a verdadeira história das atrocidades cometidas pela  ditadura brasileira. Um exemplo claro, que faz os militares arrepiarem os pelos dos fuzis são as “biografias da ditadura”, onde todos os atores, como Médici, Figueiredo e Romeu Tuma estão ali, sendo eles mesmos: artífices de uma trama contínua e repressora, que mergulhou o país em dos seus períodos mais terríveis.

De forma extraordinária, também, o capítulo dedicado às “biografias da resistência” revela não somente a forma com qual foram mortos, a maioria sob tortura, os militantes. Mostra também o que hoje fazem os sobreviventes, como os irmãos Edson e Janaína Teles que, com 4 e 5 anos, foram sequestrados logo após a prisão de seus pais, Maria Amélia Teles e César Augusto Teles, do PCdoB. Durante o período de detenção assistiram à mãe e ao pai serem vítimas de sistemáticas violações. Também presenciaram os dois sendo torturados pelo major do exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, então comandante do DOI-Codi. Que negou até a sua condenação a existência da tortura.

Finalizando minha linha de raciocínio: o movimento jurídico-militar desenvolveu este viés “contábil” nas prestações de contas do Memorial da Anistia para tentar criminalizar estes que cometeram a heresia máxima do projeto de Golbery que foi contar a nossa verdadeira recente história. Heresia tal que levou, como Leonardo Boff, por descontinar a Teologia da Libertação, a professora Heloisa Starling e os seus colegas de cátedra à cadeira de Giordano Bruno. Mas como uma grande diferença: o inquisidor, no caso, não lustra as botas do Cardeal Ratzinger (no caso de Leonardo), que chegou a se tornar Papa, décadas depois.

E pior: quem montou esta estratégia de fragilizar a universidade pública com o viés jurídico-contábil-policial está anos-luz da genialidade de Couto e Silva. Os orgãos de Controle das universidades são seríssimos. Basta observar as rugas de preocupação do pessoal da FUNDEP, em Minas. E para finalizar: as marcas da agressividade e humilhação da Polícia Federal aos nossos mais inteligentes e respeitáveis dirigentes da Universidade ficarão para sempre. A PF, ao nominar, grosseira e sarcasticamente, a operação de “esperança equilibrista” em equivocada referência à música de João Bosco e Aldir Blanc, cometeu um erro histórico. Um erro que, ao meu ver, com o tempo, será a piada interna que dará início à desconstrução da própria Instituição. Ah, se Henfil tivesse vivo…

E a prova maior desta minha maluca linha de raciocínio veio, por meio dos memes e os fakes news: sabem quem foi a única pessoa “atacada” nas redes? A professora Heloisa Murgel Starling, cuja foto vem sendo exibida nas redes como “pseudo-historiadora que usa a ‘Comissão da Verdade’ para caluniar as Forças Armadas”. Ai, meu Deus…. como Henfil faz falta… 

Ouçam o meu comentário, acrescido deste longo raciocínio, no Mondolivro, da Rádio BandNews Belo Horizonte. Só teclar AQUI.

Hora de prestar a devida homenagem ao belorizontino mais importante da história. Sabem quem é?

Na coluna de hoje, Afonso Borges joga uma questão importante para as comemorações de 120 anos de Belo Horizonte. Quem será o nascido na Capital mais importante da história? Ouçam a coluna da Rádio BandNews Belo Horizonte teclando AQUI.

Abaixo, um texto complementar, escrito para o Blog do Mondolivro:

Relendo os oito contos de “Velórios”, de Rodrigo de Melo Franco, recebo a notícia, vinda da presidente do Iphan, Kátia Bogea, que o Instituto pode fechar as portas em breve. E vejam: amanhã, 30 de novembro, o Decreto-Lei nr. 25, que regulamenta as atividades do antigo SPHAN comemora 80 anos de promulgação. (Na foto, Mário de Andrade e Rodrigo Melo Franco).

Às vésperas de comemorar 120 anos de fundação, em 12 de dezembro, Belo Horizonte deve a Melo Franco o merecido reconhecimento – afinal, ele pode ser considerado o primeiro nativo ilustre da cidade, porque nasceu apenas oito meses após a inauguração da Capital, em 17 de agosto de 1898.

Mas talvez “ilustre” não seja uma palavra adequada para determinar a importância de Rodrigo de Melo Franco. É muito mais que isso. Arrisco a dizer que é o belorizontino mais importante do século XX. Jornalista, advogado, redator, poeta, contista, ensaísta, historiador, estudioso das artes e dos artistas – foi um escritor completo. Amigo de Aníbal Machado, Milton Campos, João Alphonsus, Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Abgar Renault, todos da capital mineira, articulou a aproximação com os modernistas de São Paulo. À frente da “Revista do Brasil”, em 1924, reuniu em torno de si Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Tarsila do Amaral e Manuel Bandeira, entre outros. Era um tremendo articulador de boas cabeças.

Em 1930, como chefe de gabinete do Ministro dos Negócios da Educação, Francisco Campos, indicou o então desconhecido arquiteto Lúcio Costa para a direção da Escola Nacional de Belas Artes. E em 30 de novembro de 1937, Gustavo Capanema, então Ministro da Educação e Saúde, aprova o projeto de Mário de Andrade e cria o SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). E Rodrigo Melo Franco assume a direção, cargo que só deixaria 30 anos depois, em 1967.  Além de instituir uma legislação para preservar o patrimônio histórico brasileiro, formou uma excepcional equipe de profissionais – pesquisadores, historiadores, juristas, arquitetos, engenheiros, conservadores, restauradores, mestres de obra – para a realização de inventários, estudos e pesquisas e execução de obras de conservação, consolidação e restauração de monumentos. Rodrigo de Melo Franco instaurou um sentimento de preservação e importância do patrimônio histórico brasileiro.

Mas ainda não acabou. Estes 30 anos à frente do SPHAN proporcionou a criação de inúmeros museus regionais e nacionais: o Museu da Inconfidência, em Ouro Preto (1938); das Missões, em Santo Ângelo (1940); do Ouro, em Sabará (1945); do Diamante, em Diamantina (1954); da Abolição, em Recife (1957); o Regional de São João del Rei, (1963) entre outros. Foram restaurados monumentos, pinturas, esculturas, documentos e inúmeros bens protegidos. O Sphan realiza também centenas de programas de treinamento de técnicos, coordena trabalhos de recuperação das instalações do SPHAN, empreende disputas judiciais, se empenha pela sobrevivência institucional da entidade, e se esforça em promover, no Brasil e no exterior, uma consciência nacional de preservação do patrimônio cultural do país.

Além disso, aglutinou dezenas de intelectuais ao seu redor: Oscar Niemeyer, Luiz de Castro Faria, Sérgio Buarque de Holanda, Heloísa Alberto Torres, Vinícius de Morais, Gilberto Freyre, Carlos Drummond de Andrade e Renato Soeiro. Da equipe de profissionais, destacam-se Lúcio Costa, Lígia Martins Costa, Sílvio Vasconcelos, Augusto Carlos da Silva Teles, Alcides da Rocha Miranda, José de Sousa Reis, Edson Motta, Judith Martins, Paulo Thedim Barreto, Miran de Barros Latif, Luís Saia, Airton Carvalho, Edgar Jacinto da Silva, entre muitos.

Durante 30 anos, na direção-geral do SPHAN, Rodrigo consolidou os ideais de proteção e preservação do patrimônio histórico e cultural brasileiro. Após a aposentadoria, em 1967, integrou o Conselho Consultivo do SPHAN, onde permaneceu até sua morte, em 1969, no Rio de Janeiro.

É o ou não é mais importante belorizontino da história do Brasil?

E agora, recebo a notícia sobre a dificuldade pela qual passa o Iphan. É hora de participar. Leiam aqui: http://bit.ly/2nfpezm

A Gastronomia e o cadastramento são as novidades do Fliaraxá 2017

Gastronomia Fliaraxá e o sistema de cadastramento antecipado. Estas são as duas grandes novidades do Fliaraxá 2017. Na parte de fora do Grande Hotel, uma imensa estrutura está sendo montada, para abrigar cervejarias, restaurantes, bares, docerias e sorveterias, que serão regadas a shows especiais, como o do Pato Fu, João Donato, Celso Adolfo e Lula Ribeiro. Isso tudo ao lado da livraria, que alcança, nesta edição, mais de 600 metros quadrados, a cargo da Blooks, de Elisa Ventura. Ouçam as novidades, por Afonso Borges, no Mondolivro, da Rádio BandNews Belo Horizonte, teclando AQUI. 

 

 

 

 

Sem leitura, ENEM transforma alunos em cobaias

A redação sobre a formação educacional dos surdos é mais um factóide para ocultar um mal maior: a ausência da leitura de livros literários para se fazer este Vestibularzão da década de 80 que se transformou o ENEM. Apesar de familiarizados com o tema das diferenças, os candidatos foram transformados em cobaias, falsos especialistas em métodos educacionais. A experiência da surdez é muito mais rica quando relatada pela ótica do aspecto humano, de vivência, de alma, da constante superação.

Ouçam Afonso Borges no Mondolivro, da Rádio Band News Belo Horizonte, teclando AQUI.

 

A poesia de Drummond como resposta civilizatória

Um balanço sobre o #Drummond115. Teclem AQUI para ouvir.  Esta é a pauta do Mondolivro, da Rádio BandNews BH, com Afonso Borges. Foram dois dias de intensa atividade em toda a BH: nas praças, ruas, auditórios, teatros, bibliotecas, metrôs, museus (sim!, em Museus!). Com a poesia de Drummond, conseguimos dar uma resposta civilizatória a tanta beligerância. Thiago Lacerda falando poemas eróticos de CDA, Primeiro Ato se apresentando por toda a cidade, grupo La Favelinha compondo raps e funks com as letras dos poemas, o Prêmio “Versões de Drummond” enviou mais de mil vídeos com poemas de estudantes para avaliação. Ganhou a moça Andréia Aparecido de Oliveira, de Caeté, que tem paralisia cerebral que afetou ​sua fala mas não a qualidade de seu texto. Uma soma de esforços inédita: sob o patrocínio do Governo de Minas e Codemig, ombrearam esforços as Sec. de Educação, a Sec. de Cultura, Rádio Inconfidência, TV Minas, BDMG Cultural, Biblioteca Pública Estadual e Servas. E hoje ainda temos Antonio Carlos Secchin, no BDMG Cultural.

As rádios colocaram poemas para tocar. As televisões cobriram todos os eventos, com destaque para a TV Globo Minas, que montou links ao vivo de diversas atividades. Belo Horizonte no centro da literatura nacional, comemorando 115 anos de Drummond. Todos os jornais fizeram coberturas incríveis.

Precisamos encontrar soluções brandas e civilizatórias para responder a este momento tão beligerante. E, para mim, a resposta está no livro, na leitura, no poema, na poesia. E BH viveu isso. Lendo livros nas praças, nas bibliotecas. Tenho certeza: quem lê sabe a resposta certa ao admirar um quadro, ouvir uma canção, assistir a uma peça. Quem lê não censura. Quem lê não oprime. Quem ama lê Drummond. A.

Segredos do Fliaraxá revelados por Afonso Borges

Ainda falta muito, mas alguns segredos foram revelados. Ouçam aqui novidades. Poucas e boas. É o novo Fliaraxá, no Tauá Grande Hotel. Para ouvir Afonso Borges, tecle AQUI

E a dica vai para o lançamento do livro de Monica Mendes, “de Mão em Mão”, com abertura da exposição “Livro Aberto”. Na Quixote-Dô, no Mercado Grano, do Jardim Canadá.

Entra no ar as celebrações do #Drummond115

O Sempre um Papo e o Governo de Minas Gerais convidam para as celebrações dos 115 anos de Carlos Drummond de Andrade, a se realizar nos dias 30, 31/10 e 01/11, em diversos locais de Belo Horizonte, em especial, na Praça da Liberdade. É o #Drummond115.

Vão acontecer leituras, recitais, apresentações teatrais, de dança, música, performances, intevenções artísticas e até uma inusitada e, por enquanto, misteriosa, “Ocupação #Drummond115”.

Em outro campo, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação, vai se realizar o “Prêmio de Versões Drummond nas Escolas”, onde os alunos serão estimulados a transitar entre gêneros e tecnologias. Eles deverão ler uma crônica de CDA e, inspirados nela, escrever um poema. Em seguida, fazer um vídeo com a leitura e enviar para a Comissão Julgadora. Os ganhadores receberão Prêmios em dinheiro.

Outra inovação será a participação do Servas-MG com o projeto “2a. Chance – Rodas de Leituras nos Presídios”, que vai sugerir à todas as comarcas a realização de uma edição do projeto em todos os presídios de Minas Gerais. A proposta é bem simples: que o próprio Sistema Prisional convide um professor, ou especialista na obra de Drummond para fazer uma leitura e falar sobre a importância do poeta.

Em breve, será divulgada a programação. Para ouvir o Mondolivro com Afonso Borges, na Rádio Band News Belo Horizonte, é só teclar AQUI.