Todas as religiões são alvo de agressores em BH

Domingo passado, logo após a Missa, ao meio dia, 50 pessoas que saíam da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, no Sion, foram alvejadas com ovos e objetos.

Na noite seguinte, na Catedral da Fé, da Igreja Universal do Reino de Deus, ali na Rua Timbiras, novamente, um grupo que fugiu em dois carros alvejou dezenas de pessoas que saiam do culto.

Na quinta-feira, às 19h30, quando os fiéis começavam a chegar para o Culto de Louvor, Palavra e Oração na Primeira Igreja Batista de BH, na Praça Raul Soares, uma chuva de ovos vinda dos prédios ao redor acertou a multidão, provocando ferimentos em algumas das pessoas, além do pânico.

No sábado à noite, mais ovos foram lançados em pessoas que chegavam no Centro Espírita Thiago Maior, na Praça Milton Campos. Os agressores, encapuzados, fugiram em dois carros.

Sábado, 10h, um grupo de jovens e crianças com quipá e tranças chega à Sinagoga, na Rua Pernambuco, no bairro Funcionários. Num relâmpago, um carro passa e atira uma chuva de ovos. Desesperados, os jovens saíram em disparada.

No sábado, dia 15 de maio, o Reinado Treze de Maio, sediado no bairro Concórdia há 74 anos, foi vítima de um ataque, com o arremesso de ovos em seus integrantes, enquanto realizava um de seus tradicionais cortejos públicos. A senhora Isabel Casimira Gasparino, Rainha Conga do Estado de Minas Gerais e das Guardas de Moçambique e Congo Treze de Maio de N. Sra. do Rosário, foi atingida. Vários integrantes também foram feridos.

Destes acontecimentos, somente o último, no Reinado, aconteceu, é real. Os outros eu inventei. E inventei apenas para perguntar sobre o sagrado. Qual deles é mais sagrado? Qual merece mais respeito, reverência, cuidado e atenção? E quem pode lutar contra estes agressores? Quem são eles? Porque não atacam as outras religiões? E mais: de onde sai tanta ignorância? A cultura do congado está na raiz da nossa alma; na raiz da nossa música, da nossa fé, nosso nosso sentimento de mundo. Soube desta agressão pela vereadora Aurea Carolina.

E qual seria o castigo ideal para os agressores? E quem seria capaz de puni-los? E punição seria o caso? No fundo da minha indignação, ira, revolta, penso o contrário. Talvez a saída fosse mesmo o amor e o conhecimento. Seria mostrar para estes agressores a importância da cultura negra no Brasil e no mundo. Seria fazê-los bailar, ao sons dos tambores, até que renascesse, no fundo das suas almas, a brasilidade e negritude ali contida. E que, assim, eles se descobrissem seres humanos, como são, em algum lugar de suas imensas ignorâncias.

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