Carpinejar, Maria, Carlos e o amor dos e pelos pais

Caros amigos e amigas,

Leiam a minha coluna em “O Globo”.

No ar, na RádioBandNewsBeloHorizonte, o Mondolivro. Ouçam, teclando AQUI.

E abaixo, o texto:

Maria Carpi e Carlos Nejar são os pais de Carpinejar. Um menino que foi diagnosticado como retardado logo cedo. Um menino que foi salvo pelo amor extremo dos pais. A poesia de Maria e Carlos entronizaram um Carpinejar dono de um texto cristalino e profundo, mergulhado nas questões familiares e amorosas. Texto cravado na crônica, gênero que melhor traduz os sentimentos da alma e do cotidiano. Os muitos livros de Fabrício são a prova de sua imensa versatilidade e trânsito entre cérebro, coração e palavras.

Agora, o autor manda para as livrarias, pela Bertrand Brasil, o livro “Cuide dos seus pais antes que seja tarde” onde retorna ao passado e nas lembranças, no alerta que o título propõe. Um livro que chega no tempo certo: os avanços da medicina e os decrescentes números da taxa de natalidade no Brasil antevêem uma população predominantemente idosa em muito pouco tempo. No viés, o idoso dentro da família só é bem tratado quando tem uma boa aposentadoria. No mais, desleixo, desapego e abandono.

O ator Paulo Betti escreveu sobre o livro, maneira sensível de interpretar o livro:

Meu pai morreu primeiro. Foi um baque. Eu nunca joguei truco com ele, nunca fiz uma massagem nas suas costas. No velório minha mãe me alertou. Pra ela tinha que ser um enterro de primeira.

Eu ri, mas me dei conta que ela também ia morrer um dia. Gozado, isso é óbvio, mas quando a gente está com 30, ou 40, não é tão evidente assim.

Um ou dois anos depois da morte de meu pai, minha mãe adoeceu e entrou em coma. Ficou assim três anos. Eu dormia numa cama ao lado. Ficava olhando seu rosto encovado, a respiração entrecortada. Pensei em fotografa-la. Era uma imagem tão forte. Não o fiz. Seria indigno. Porque não a desenhei? Nunca consegui desenhar mais do que uma casinha de sapé e um coqueiro ao lado. Mas tinha certeza que conseguiria desenhar o rosto agônico de minha mãe,  como um Flavio Carvalho ou Lucien Freud.

Do que isso adiantaria? Nada. Pra ela, nada. Ah se eu tivesse lido esse livro antes! Ele é explícito. E isso é um elogio. É um grito de alerta. Deveria ser de leitura obrigatória. Cole na sua mãe e no seu pai. Seja o pai deles, abrace, fique perto, cubra-os de carinho e afeto. É pra isso a vida, não tenha dúvida.

Conheci a mãe do poeta Carpinejar nos bastidores do magnífico Theatro São Pedro, em Porto Alegre. Foi um encontro tão abençoado que ela parecia minha mãe também. O poeta e eu viramos irmãos. (Paulo Betti).

Depois deste texto, é só esperar o livro chegar nas livrarias. E correr pro abraço. Do livro, dos pais, filhos, tudo.

 

 

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