O tempo e a hora de Mario Faustino

Minha coluna no jornal O Globo fala de um poeta inesquecível: o piauiense Mario Faustino. Para acessar, só teclar AQUI.

Abaixo, o texto:

É tempo de reler Mario Faustino. Tem um só livro: “O Homem e sua Hora”.  Faustino é natural de Teresina, Piauí. Aos dez anos mudou-se para Belém do Pará, onde formou-se. Depois transferiu-se, aos 25 anos, para o Rio de Janeiro. Intelectual brilhante, ensaísta, crítico, tradutor de Baudelaire, Mallarmé, Rimbaud, Verlaine, era moderno como o País da década de cinqüenta. Editou a página “Poesia-Experiência”, no histórico Suplemento Dominical do “Jornal do Brasil” e ali veiculou os novíssimos de então: Haroldo e Augusto de Campos, Décio Pignatari, entre tantos, geniais. Morreu cedo, em um acidente de avião no Peru. Andam dizendo que Mário Faustino é difícil. Não caiam nesta conversa. Faustino só é pouco conhecido. Leiam, releiam e deixem a alma ficar contaminada por este poeta elegante, metafísico e inteligente. Comecem por “Breve Elegia”. E releiam o último parágrafo até o entendimento se completar. Parece que foi escrito hoje.

Breve Elegia

Só ardem neste sono

os círios da memória e do desejo.

E turvos

na memória revolta são teus gestos –

os únicos repletos de perdão.

É preciso esquecer

tanto amar, tanta amarga

expiação de tudo que guardamos

por não sabermos dar.

E obscura

                    pelas vagas do leito

                                                  – tua sombra –

nenhuma outra é digna deste abraço.

Pudesse eu divagar

pelos bosques teu reino, mergulhar

contigo em tua fonte, ou ascender

ao teu éter contigo, ao teu mistério …

mas não há via larga rumo à noite.

Então, luz após luz remota, um sol atroz

atira-me do sonho aos recifes

reais donde diviso tua fuga:

Jamais a madrugada traz nos braços

relíquias de uma lua que adoramos.

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1 comentário

  1. celso adolfo · 17 dias atrás

    Entre os esquecidos, ponha Dante Milano na roda. A “dureza” dele, as imagens sem melado, poesia tipo “direto no pé do ouvido”, ou aquele “uppercut” que tonteia e derruba instantaneamente, poesia de poeta que vê o mundo e não quer ser visto. Há anos não se fala nele. Láááá atrás, Paulo Mendes Campos, Ivo Barroso, Drummond e que tais, contemporâneos, reverenciavam o petropolitano.

    Curtir

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