Para a moça da LATAM, em tempo de dilúvio

“Vocês tem que me passar uma posição, está insustentável, aqui”, disse a moça da TAM, segurando dois aparelhos de comunicação. Insultos, gritos, olhares nervosos, gente perdida no saguão do aeroporto de Congonhas, ontem. O dilúvio que se abateu sobre São Paulo provocou cancelamentos em série. Sou acostumadíssimo com aeroportos. E para quem viveu greve dos aeroviários, um atraso é nada.

Mas acordei no meio da noite, ontem, com um pensamento inquietante. Será que a moça da TAM teve um colo, um carinho, um ombro para descansar, ou chorar, ao chegar em casa? Qual pedaço do seu coração, ou alma, ficaram guardadas as indelicadezas dos passageiros? Será que houve uma sopa quente, um jantar frugal, um suco de fruta que abrigasse  o cansaço imenso, o desgaste físico e emocional da moça da TAM? O que terá pensado no Metrô, a caminho de casa, vendo a paisagem passar? Será que os olhares agressivos e as vozes irritadas ressoam quando ela faz silêncio? Ao adormecer, colada ao travesseiro, volta um grito, súbito? Vai aqui, para a moça da TAM, esta da foto, que não conheço, um pensamento leve, brando, solidário. Vai um cumprimento saudável, um olhar respeitoso. Bom dia, moça da TAM, um bom dia.

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1 comentário

  1. LuiZ FernandoS · fevereiro 2

    Que culpa a moça tem por causa de uma tempestade. Vão se queixar a S. Pedro. Ou prefeririam voos com altos riscos? Teori ainda está recente.

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