Um carinho para Gilberto Gil

Amigos e amigas, aqui, o ponteiro para o minha coluna no Portal do Jornal “O Globo”. Só teclar AQUI.

Abaixo, o texto, para os não-assinantes:

CANTA, GIL, CANTA!

– É o Gilberto Gil?? Então canta!!!, disse a voz, ao celular.

Assim terminou uma das noites mais divertidas da minha vida. Imaginem: Palácio das Artes, em Belo Horizonte, lotado, mais de duas mil pessoas. Gente espalhada pelos corredores – coisa que não é mais permitida. Gilberto Gil lançou o belíssimo “Gil Luminoso: A Poética do Ser”, escrito por Bené Fonteles. Três horas e meia de debate, fala intensa, em cachoeira, como é natural no autor de “Aquele Abraço”.

Começou às 19h30. Ali pelas 22 horas, na qualidade de mediador, ainda umas 15 pessoas na fila de perguntas. Peço para que sejam feitas só mais 5 intervenções, ainda haveriam os autógrafos. Gil me corrige: – mais isso aqui não é um papo? Deixa as pessoas perguntarem! Concordo, e abro a fila, de novo. Mais 10 pessoas se juntam às 15. E tome debate…

Ali pelas 23 horas, começam os autógrafos, que foram até uma hora da manhã. Por último, um deficiente visual. Ele chega, entrega o livro para o Gil e, ao mesmo tempo, atende o celular. “Sim, estou aqui no Palácio das Artes, o Gilberto Gil está autografando um livro pra mim”, diz. Inesperadamente, começa a balançar o celular no ar, até chegar no rosto do Gil. Atende, por favor, diz entregando o aparelho. Gil pega o celular, toma um susto com a fala da pessoa, do lado de lá e amavelmente, cantarola:

– O melhor lugar do mundo é aqui, e agora….

Mais ou menos 10 minutos, depois chega a moça, esbaforida, chorando, pedindo desculpas e agradecendo. Mas seu marido já tinha ido embora, conduzido por um amigo.

Dia seguinte, levo Gil ao aeroporto. Estava um caos, todos os vôos atrasados. Consegui uma sala em separado, devido ao assédio do público no saguão, lotado. Ficamos, eu e Gil, 4 horas à espera, a sós, conversando sobre a vida. Um privilégio gravado na memória, palavra a palavra. Entre os assuntos, gastronomia.

– Não bebo um copo de água há 25 anos, me disse.

São coisas da alimentação macrobiótica, da qual Gil foi adepto. Hoje é mais vegetariano. Perguntei o que ele faz quando tem que  ficar horas na mesa de debate, como ficou, naquela noite. – Tomo suco, mas pouco, respondeu. Em silêncio, me lembrei de “Tenho Sede”, letra e música dele:

“Traga-me um copo d’água, tenho sede

E essa sede pode me matar

Minha garganta pede um pouco d’água

E os meus olhos pedem teu olhar

A planta pede chuva quando quer brotar

O céu logo escurece quando vai chover

Meu coração só pede o teu amor

Se não me deres posso até morrer”

Agora ele está internado com problemas de insuficiência renal. Se tem alguma coisa a ver com isso, não sei. O movimento do mundo faz as centenas de músicas inesquecíveis compostas por ele circularem. Todas ao mesmo tempo, e no mesmo ambiente cercado por luz e energia positiva que o cerca, agora, vinda de nós, brasileiros. Vida longa a Gilberto Gil.

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1 comentário

  1. celso adolfo · agosto 1, 2016

    Há trocentos anos, fui tietar Gilberto Gil na porta do hotel em que ele estava hospedado, na Av. Amazonas, na descida entre Rua Espírito Santo e Rua Caetés. Em plena ditadura, +/- 1978, olhando pros lados, fomos a pé até o Chico Nunes. Lá, com sede, lembro-me de que ele já dizia que tomava pouca água. Macrobiota, comeu no Centro Comercial da Praça da Estação. Gilberto Gil teve, tem e terá, sempre, os meus respeitos mais sinceros. A história do cego no Palácio das Artes completou uma das belas noites do Sempre um papo, que eu não perdi, seguidor de G. Gil, que sou, desde o hotel da Av. Amazonas.

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