Lei Rouanet: hora de ler os números ao contrário

Caros amigos e amigas,

Aqui, o ponteiro para minha coluna em “O Globo “. Só teclar AQUI.

E, abaixo, o texto, para os não assinantes:

A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” informa que 30% da população brasileira nunca comprou um livro e 44% não lê. Estes números, aterradores, servem para desanimar? De jeito nenhum! Afinal, quantos brasileiros já ouviram um concerto de música clássica? Ou quantos já foram ao teatro? Ou quantos assistiram um espetáculo de dança clássica ou contemporânea? Ou uma noitada de jazz? Vale generalizar para melhor explicar? Acho que sim.

Arte e Cultura neste País são espécies da ordem do desafio. Os frios números da pesquisa citada nos estimulam em dois sentidos, contrários. Por um lado, mais de 50% da população lê e quase 60% compra livros.  Por outro, surge a fronteira que se desenha na linha da sensibilidade: há muito ainda o que se fazer, muito ainda a ser conquistado. Com livro, leitura, teatro, música e arte. Há uma revolução possível a caminho e seu carro-chefe é a Cultura. Com a Educação? Melhor ainda. Mas esta tem um caminho mais claro, ordenado, sem invenção. Ainda mais depois do advento do ENEM que trouxe, em contra-mérito, a exclusão do livro obrigatório para a prova. Mas este é outro assunto, outro artigo.

Na desordem sistemática do mundo cultural, podemos nos dar ao luxo da invenção. O luxo da imaginação colada no melhor dos mundos: a criação. A Terra do Nunca possível, que nos religa ao sonho. E “a vida é sonho”, como escreveu Calderón de la Barca. Falta ao mundo e ao homem moderno esta dimensão que só a Cultura traz consigo. Só a Cultura estimula, desenvolve, aprimora. Indo além, ao mundo da neurociência, está comprovado, com sinapses aos pulos, o bem fazer da leitura ao cérebro. Os neurônios e tudo mais agradecem felizes a presença da arte. Até neste departamento clínico, e principalmente, nele, a cultura deslancha.

O motor de popa do incentivo à Cultura no Brasil é a Lei Rouanet, posta à prova, com as recentes denúncias. Na contramão, como a Cultura sempre andou, está aí uma belíssima oportunidade de virar este jogo. É hora de mostrar aos brasileiros os inúmeros ganhos e possibilidades que a Lei Rouanet, ao longo destes 25 anos, proporcionou à sociedade brasileira. É hora de ler os números, ao contrário. E enfrentar os desafios.

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1 comentário

  1. celso adolfo · julho 13

    Chico Buarque dá mais um passo e compões SONHOS SONHOS SÃO. Mais bonita, impossível.

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