BH e Rio, cidades unidas pela literatura

Eles nasceram em Belo Horizonte. E foram para o Rio de Janeiro transformar o País. Leiam a coluna de Afonso Borges em  “O Globo”, teclando aqui.

Abaixo, o texto:

Escrevo este com se fosse uma carta dedicada aos jovens de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro. Jovens que podem ter até um pouco de cabelos brancos, não tem problema. Moçada, orgulhem-se: Belo Horizonte tem um papel fundamental na história da cultura brasileira. E, lamentavelmente, poucos sabem disso.

Imaginem a cena: em 1924, um grupo de talentosos pivetes da literatura mineira, entre eles, Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava e Emílio Moura, pontas de lança do Modernismo em Minas Gerais, vai ao Grande Hotel, onde hoje existe o Edifício Maletta, para conhecer os ilustres visitantes Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. Junte-se a esta turma Aníbal Machado, João Alphonsus e Cyro dos Anjos. Adicione a esta receita os  futuros políticos Milton Campos, Pedro Aleixo, João Pinheiro Filho e Gustavo Capanema. Todos da mesma turma.

Drummond viveu em Belo Horizonte entre 1920 até 1934, quando saiu para trabalhar com o então Ministro da Educação, Gustavo Capanema. Guimarães Rosa morou e formou-se em Medicina, mais ou menos no mesmo período que Pedro Nava, ali na década de 30, em BH. Na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, formaram-se dois ícones da literatura e jornalismo: o capixaba Rubem Braga e o piauiense Carlos Castelo Branco, o Castelinho. Voltem no parágrafo acima, moçada. Todos saíram para a mesma cidade: Rio de Janeiro.

Em 1944, o capixaba Wilson Figueiredo receberia, na estação de trem, com um grupo de artistas plásticos, Mário de Andrade. É desta geração também Sábato Magaldi. Mais à frente, na virada da década de 40, formou-se o grupo de Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino, que fazia ponto nos bancos da Praça da Liberdade, em BH. Destino e residência destes, até a morte: Rio de Janeiro.

Mais à frente, nos anos 50, Fernando Gabeira, Roberto Drummond e outros jovens talentos juntaram-se em torno de Euro Arantes, Guy de Almeida e José Maria Rabelo, no jornal “Binômio”, ao mesmo tempo que Silviano Santiago, Ivan Angelo e sua turma agitavam Belo Horizonte com a revista “Complemento”. Quase todos foram morar na capital carioca.

No final da década de 60, foi a vez de Luiz Vilela, Sérgio Sant’Anna, Jaime Prado Gouvêa, Wander Piroli e Humberto Werneck, entre outros, se reunirem ao redor de Murilo Rubião, no Suplemento Literário do Minas Gerais. Com trajetória brilhante e à parte, o belorizontino Affonso Romano de Sant’Anna mudou-se para o Rio de Janeiro no final dos anos 60.

Moçada, esta carta é para dizer que em Belo Horizonte formaram-se alguns dos mais importantes nomes da literatura brasileira do século XX. Ali eles estudaram, ali se formaram e construíram seu caráter e personalidade. E todos, praticamente, foram morar no Rio de Janeiro, para estruturar o pensamento, a política e a boa literatura brasileira. Está tudo registrado no livro “O Desatino da Rapaziada – Jornalistas e Escritores em Minas Gerais”, de Humberto Werneck, publicado pela Companhia das Letras. É uma leitura indispensável. Orgulhem-se, jovens de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro. E honrem a tradição, lendo. Lendo muito, e sempre.

 

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