O novo/velho MinC, o limbo e o desafio da difamação

A coluna de @AfonsoBorges, em @OGlobo, sobre a experiência de quase morte de @MinstériodaCultura. Aqui, o ponteiro para o portal:

http://blogs.oglobo.globo.com/afonso-borges/post/experiencia-de-quase-morte-do-minc-o-diplomata-e-o-seu-desafio.html

E aqui, o texto:

E o Ministério da Cultura, como sai da experiência de quase-morte? Houve projeções de consciência, saída do corpo, elevação espiritual, visões psicodélicas do paraíso? Alguém já foi lá perguntar aos funcionários o que se passou durante o limbo? Ou vamos nos distrair lendo “A República”, de Platão, onde ali aconteceram os primeiros relatos deste inominável corredor entre a vida e a morte? Melhor mesmo é ser audiovisual e lembrar do lânguido e canastrão olhar de Jon Snow, de “Game of Thrones”, respondendo à pergunta da feiticeira, depois de renascido: – que você viu, lá? Ele: “nada”…  O fato é que o MinC morreu e ressuscitou – e não foi no terceiro dia.

Enquanto o MinC levitava acima dos outros prédios, na Esplanada dos Ministérios, em estado de coma vegetativo, a chamada classe cultural deu nas canelas, costelas e ombros do Governo. Ocupou prédios físicos, fez abraçasso, passeata, show de protesto e até recital improvisado de poesia. Vi João das Neves e Titane, dormindo, em paz, na Funarte-BH, vi ocupações virtuais, em todas as redes sociais e dormi com “Carmina Burana”, em coro de “Fora Temer”, como música-chiclete (ih, lembrei, outra noite com ela na cabeça, me salvem).

Li que uma Senadora convidou mais de 15 (ou serão 20?) mulheres para o cargo de Secretária de uma uma Secretaria natimorta – e todas recusaram. Presenciei amigos queridos virando noites no Rio de Janeiro discutindo o papel do Ministério, da Cultura, dos artistas, da arte, com ou sem maiúscula. Aqui, o papel fundamental da APTR e seus associados. Vi e senti o sofrimento verdadeiro destas pessoas, que se sentiram desrespeitadas. E vi também que o Ministério da Cultura, ao contrário de todos os outros, é feito de gente. Gente que canta, dança, encena, escreve, gente que é feita para brilhar. Duvido que alguém levantaria um palito de dentes usado pelo retorno do Planejamento, Fazenda, Pesca, Turismo ou qualquer outro, se um deles fosse extinto.

Como previ, aqui neste espaço, o bom juiz consultou o bandeirinha e voltou atrás, anulando o pênalti. Com estádio cheio, tem que ter coragem. Venceu a força do movimentos dos artistas? Tenho dúvidas, minha alma é velha e cética. Penso que teve força igual o telefonema de um Imortal em um sábado de manhã. Conselhos são bons, em um sábado de manhã, inventaria Vinícius de Moraes. E tem muito mais coisas entre o céu e a terra.

Pano rápido, entra em cena um personagem novo no enredo deste espetáculo, o diplomata Marcelo Calero, que assume o novo/velho Ministério da Cultura, com o bordão “Cultura não tem Partido”. Mas ele deve se preparar para ficar inteiro, porque entra com um desafio gigantesco: enfrentar a torpe difamação que se amalgamou no público em torno da Lei Rouanet. As mentiras e falsas interpretações foram transferidas para os artistas, sem intermediários nem fases, direto para a mesa de almoço dos fazedores de cultura. Foram todos transformados em ladrões, instantaneamente. Há que se criar um ambiente de esclarecimento e harmonia neste campo, urgente.

Um bom momento para se publicar o livro de Henilton Menezes, intitulado “A Lei Rouanet Muito Além dos (F)atos”. Um bom momento para sentar, olhar nos olhos e dialogar. A situação já está difícil, por si só.

 

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