A Cultura na marca do pênalti – mas o Juiz pode ouvir o bandeirinha e mudar a decisão, ainda.

Aqui, o ponteiro para a minha coluna em “O Globo” sobre o fim do Ministério da Cultura:

http://blogs.oglobo.globo.com/afonso-borges/post/cultura-na-marca-do-penalti-mas-o-juiz-pode-ouvir-o-bandeirinha-e-mudar-decisao.html 

Abaixo, o texto, para quem não tem o acesso:

Pênalti. A torcida comemora. O juiz olha para o bandeirinha. Conversam. Silêncio e tensão no estádio. Corre e aponta para a marca do tiro de meta, balança os braços negativamente. Errou, corrigiu. Não foi pênalti. O exemplo de civilidade e inteligência no futebol provoca discórdia, mas todos entendem que erros acontecem e devem ser corrigidos, melhor ainda, se for no calor da hora.

O Ministério da Cultura, depois de 31 anos, não pode ser extinto simplesmente porque uma malha estruturada, funcional e sistêmica compõe, hoje, o seu corpo de atuação junto à sociedade brasileira. Não pode ser extinto por uma questão de organograma do funcionalismo público: como vão se comportar e a quem deverão se reportar as inúmeras Secretarias Estaduais e Municipais espalhadas por todo o País? A um Secretário Nacional, ligado à Presidência da República? A maior dificuldade, neste caso, é entender como vai funcionar a máquina, alterada, por dentro.

Como vão funcionar as autarquias, museus, fundações, centros culturais e tudo mais, integradas ao sistema federal de cultura? Dou como exemplo a tragédia anunciada e recorrente da Fundação Biblioteca Nacional que precisa urgente de socorro, e não desamparo. Mas e as demais, tantas outras, espalhados pelo Brasil? E a recente Lei do Livro e Leitura, aprovada, pela primeira vez na história do Brasil, há pouco? Será delegada a um instrumento de segunda categoria, que é uma Secretaria?

Do ponto de vista internacional, a cultura brasileira dialoga hoje em nível de primeiro escalão com todos os países de língua portuguesa, exercendo clara liderança. E com o imenso desafio da Nova Ortografia posto à sua frente, cheio de idiossincrasias. Com outros países e línguas, a desigualdade é nivelada pelo status de Ministério. Assim, o passo civilizatório já foi dado, há 31 anos. Não há como regredir.

Outro dado temerário é a própria estrutura do Ministério da Cultura, ainda carente de novos e propositivos avanços, internamente. Como funcionarão os pareceristas, os técnicos, as representações regionais? A Lei Federal de Incentivo à Cultura é ainda precária e foi permanentemente ameaçada pela proposta equivocada do Pró-Cultura.  Como avançar? Este é o grande desafio.

Pior é lutar para (re)conquistar o que já se tem. O caminho é outro: à luz dos tempos modernos, o Ministério da Cultura deve avançar para se desdobrar em outros, onde a Economia seja parceira e mais bem alavancada. Basta olhar os números que o setor movimenta hoje, no País. Basta olhar as estatísticas de empregabilidade e renda. Pior ainda é a estratégia: entregar a um possível adversário, em 2018, o ponto número um de um programa de Governo: o retorno do Ministério da Cultura.

Senhor Juiz, como os bons, converse com o bandeirinha, olhe novamente o lance, e volte atrás. E deixe o jogo seguir que a peleja já está difícil, por si só.

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