Dia de falar mal de um escritor que está impossível: Humberto Werneck

Hoje é dia de falar mal de um escritor porque ele está impossível! O cara nasceu em BH, em 1945. Cresceu e se formou aqui. Começou a vida entrevistando Clarice Lispector para o Suplemento Literário de Minas Gerais. Foi uma das maiores gafes da história do jornalismo mundial. De cara, fez a pergunta errada e foi quase trucidadado pela ucraniana. Estimulado por Murilo Rubião, Sérgio Sant’anna, Jaime Prado Gouvea e tantos bons, persistiu. E mudou-se para São Paulo, ali por 1970, onde labutou em quase todos os jornais e revistas deste País. Alguns, inspiradores, como aquela revista cheia de bons artigos, entrevistas  e contos inéditos, chamada “Playboy”.

Para o deleite dos mineiros, decidiu arvorar-se a escrever livros e organizar compêndios. Escondido, sempre escreveu contos. Lançou “Pequenos Fantasmas”, uma jóia rara, de verdade. Porque ele mesmo mandou imprimir apenas 500 exemplares e só presenteia quem merece. Portanto, ainda deve ter uns 490 exemplares em sua casa.

Depois, desencantou. E mandou para a Companhia das Letras o texto definitivo que conta a história dos jornalistas e escritores em Minas Gerais, chamado “O Desatino da Rapaziada”, uma frase de Carlos Drummond de Andrade. Publicou o primeiro texto biográfico sobre Chico Buarque, a maravilhosa biografia de Jayme Ovalle, “O Santo Sujo”, organizou livros e obras de Otto Lara Resende, Murilo Rubião, Paulo Mendes Campos, Hélio Pellegrino, entre outros. Fez também a inenarrável compilação de frases em “O Pai dos Burros”, onde ele manda os lugares comuns da língua portuguesa pro lugar certo, ou seja, para o lugar do bom humor.

Eu ia dizer mais, que Humberto é indispensável, ninguém sabe mais e divulga tanto a literatura e a história de Minas, que ele tem o melhor texto da crônica e jornalismo brasileiro, que seu quadrado no domingo, no Estado de Sao Paulo é uma beleza, mas chega. Ele decidiu ser gauche na vida e faz tudo por amor ao que considera bom, de qualidade e sempre acerta em cheio. Agora, decidiu ser impossível. Seu livro “Sonhos Rebobinados”, título retirado de uma crônica escrita em homenagem ao Fliaraxá – Festival Literário de Araxá – foi indicado para o Prêmio Jabuti. E, ao que parece, está nas tratativas finais para começar a escrever a biografia de Carlos Drummond de Andrade.

Obrigado, Humberto Werneck, por fazer e continuar fazendo tanto, por nós, mineiros, que digo sempre, não merecemos. Mas nós o admiramos tanto, tanto que, ao invés de louvação, emitimos um ensurdecedor silêncio. Coisa de mineiro.

Ouçam aqui a coluna de hoje:

Rodapé_MondoLivro - Boletim literário na Rádio CBN

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