Lista de livros obrigatórios para o ENEM

Por Afonso Borges:

Sim, eu sou a favor da lista de livros obrigatórios para o ENEM. Ou para os vestibulares. Ou para qualquer prova classificatória para o ensino superior. E vou explicar porque:

1) Muita gente tem birra da palavra obrigatório. Eu não. São os livros selecionados para a prova. E pronto. Normalmente, são dez livros. E é pouco. Só dez livros que devem ser lidos no curso de um ano, até a data de realização da prova. É pouco.

2) Está comprovado que a lista de livros para o Vestibular aumenta o índice de leitura no País. Muito a contragosto, os estudantes tem que ler. E quem lê, mesmo que obrigado, neste momento, tem uma grande, imensa chance de ler outros, por vontade própria.

3) Vamos falar da literatura brasileira. A lista de livros para o vestibular é, tradicionalmente, um tremendo apoio aos autores brasileiros. Tem a lista dos clássicos, claro, sempre cai Machado de Assis, Graciliano Ramos, Affonso Ávila. Mas a lista sempre inclui autores novos, e isso é um estímulo às vendas e à popularidade destes autores.

4) Para fazer o ENEM não é necessário ler livro algum. Eles defendem a generalidade, que o estudante leia de tudo um pouco, porque pode cair qualquer coisa. Mas que teoria é esta? Se pode cair qualquer coisa, de preferência, o estudante não lê nada. Quando existe uma lista, existe critério, método, pesquisa e análise. Quando existe uma lista, cria-se um hábito. O estudante tem que ler estes 10 livros.

5) A maioria dos opositores à lista obrigatória alega que ela é compulsória, e que ninguém deve ser obrigado a nada. Esta teoria é covarde, porque transfere para um amigo imaginário a eleição do que deve ser lido para ao ENEM. E pior: tira a responsabilidade do professor, em especial de literatura, de arbitrar um método inteligente de abordagem e análise dos livros selecionados.

6) Vamos falar dos critérios de escolhas dos livros. Olhem para o passado, vejam as listas. São todas, todas, ÓTIMAS. Os clássicos estão ali, mas sempre tem um Carlos Herculano Lopes, uma Lya Luft, um Moacyr Scliar, um Antonio Torres, um Luis Giffoni. Sem a lista, o que temos? Nada. Simplesmente nada. É a vitória da ausência de critério, da ausência de método, da frivolidade irresponsável que o Governo e o Ministério da Educação tratam o livro e a literatura quando se trata de ENEM.

Vai ver que é por isso que o Governo parou de comprar livros para o ensino básico, coisa que vem sendo feita desde os tempos de Getúlio Vargas. Enfim, parei. E vocês, o que acham?

Ouçam aqui a coluna de hoje:

Rodapé_MondoLivro - Boletim literário na Rádio CBN

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