Qual a importância do livro e da leitura para as provas do ENEM?

Por Afonso Borges:

Bem, estimados ouvintes, acabou o ENEM. E agora? Quais as conclusões podemos tirar da importância do livro e da leitura no ENEM? Para mim, a situação é grave: ou muda-se o ensino da litetura nas escolas ou o ENEM muda a forma de abordar a literatura na prova. Isso porque o ENEM, a exemplo dos vestibular, transformou o ensino brasileiro na maior prova do Globo terrestre.

E esta prova, que lança o aluno ao seu futuro, não dá o tratamento adequado ao livro, à leitura e à literatura. A prova do ENEM apenas nivela o estudante brasileiro aos péssimos índices de leitura que nivela o brasileiro ao que há de pior no mundo, nesta matéria. Não pode! Vou explicar: a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, realizada em 2012 pelo Instituto Pró-Livro e pelo Ibope Inteligência, indicou que 44% dos brasileiros apresentam dificuldades na compreensão da leitura, o que caracteriza um índice relevante de analfabetismo funcional.

Mas o que isso tem a ver com a prova do ENEM? Tudo! Se o ENEM não rever as suas teorias, genéricas demais para a aplicação da prova, isso vai se refletir na metodologia do ensino básico. É o que já está acontecendo. Ler é a única forma que o ser humano tem para desenvolver o aprendizado. Vou repetir: a leitura é a chave do aprendizado. Quem não lê, não entende nada o que está ao seu redor. Se a criança não aprende a ler, no ensino básico, vai fazer um péssimo fundamental e, lá no final, na hora do ENEM, não vai entender a prova. Aí para que serve o sistema de cotas? Para separar que não consegue ler nada dos que conseguem ler alguma coisa?

E tem mais: a USP não adotou o ENEM como método de entrada. Este ano, parece que vão destinar 15% das vagas. Aí, raciocinem: quem fazia o vestibular, convencional, para entrar na USP vai agora fazer o ENEM. E venhamos e convenhamos: estes estudantes que concorrem a vagas na USP estão muito mais preparados que os demais. E aí? Como fica? Olha para mim, é simples: livro, literatura e leitura devem ser prioridades claríssimas de todo processo eletivo. Com livros obrigatórios, sim, pois isso é, comprovadamente, fator de aumento do índice de leitura. O que vocês acham?

Ouçam o Mondolivro aqui:

Rodapé_MondoLivro - Boletim literário na Rádio CBN

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1 comentário

  1. Tonho · julho 10

    Amigo, para uma pessoa passar em uma das vagas disponibilizadas pela USP, no Enem, precisa estar muito bem preparado, sim! Olha as notas de corte de cursos menos concorridos que, em universidades boas, não passam de 650. Na USP, eles chegam a quase 750. Sem falar que faculdades muito bem estruturadas não usam os livros obrigatórios, mas a capacidade de interpretação. Concordo que a leitura aumentaria o nível de competição, que já é elevado em humanas, e a pessoa precisaria fechar a prova do ENEM para ultrapassar de 700 pontos em linguagens

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