Está aberta a Feira de Frankfurt, o maior evento editorial do planeta!

Por Afonso Borges:

Hoje abre a Feira de Frankfurt, o maior evento editorial do planeta. Em sua sexagésima sétima edição, são esperados 270 mil visitantes e 7 mil expositores de cerca de 100 países. Mas este ano a roda da política gira em alta velocidade na cidade alemã. De cara, o Irã e alguns países árabes boicotaram o evento por causa do convite a Salman Rushdie, que fará uma conferência sobre liberdade de expressão. Para quem não se lembra, ele recebeu, em 89, o fatwa, a sentença de morte por causa do livro “Versos Satânicos”, promulgado pelo então aiatolá Khomeini. Apesar do tempo, o Ministro da Cultura do Irã disse que a sentença de morte é eterna, até que se cumpra.

A política na Feira de Frankfurt não pára por aí. Devido aos temas quentes do momento, como mudanças climátidas, conflitos ideológicos e religiosos e extremismos, a organização criou um evento paralelo, chamado Frankfurt Undercover. E desta vez, o assunto, como não poderia deixar de ser, é o papel da Europa frente à situação dos refugiados – sírios, especial. E mais: no domingo, os refugiados terão entrada franqueada à Feira, com uma programação especial voltada para eles. Por iniciativa do Prêmio Nobel da Paz, Navid Kermani, os novos moradores devem se integrar à cultura.Vale lembrar também que a mais recente Nobel de Literatura, Svetlana Alexiévich, ganhou por motivos nitidamente políticos. E ela também estará lá.

A participação do Brasil minguou devido à alta do dólar. Estarão lá 36 bravas editoras, contra 181 em 2013 – mas este foi o ano que o Brasil foi o País homenageado. O Brasil é conhecido com o um país bom comprador de direitos na Feira mas este ano os editores estão céticos. E agentes literários, sabendo disso, também amansaram e parece que as negociações vão correr mansas e com valores mais baixos. Entre os autores convidados brasileiros Ricardo Lísias, Noemi Jaffe, Fernando Bonassi e Luis Krauss.

Questionada sobre o caráter excessivamente político da Feira de Frankfurt, a vice-presidente, Marife Boix-Garcia, cita dois momentos emblemáticos. Orhan Pamuk, que direcionou sua fala ao presidente turco Recep Erdogan, e a reação ao polêmico e realista discurso de Luiz Ruffato em 2013. E aqui no Brasil? Quando a política vai chegar às feiras e festivais do livro? Já passou da hora…

 Ouça aqui:

Rodapé_MondoLivro - Boletim literário na Rádio CBN

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