Harper Collins compra a Ediouro e promete 350 títulos por ano

Rodapé_MondoLivro - Boletim literário na Rádio CBN

A notícia da semana, ou do mês, ou do ano, é a entrada no Brasil do segundo maior grupo editorial do mundo, a inglesa Harper Collins. Na verdade, eles já estavam por aqui, matutando o mercado. Eles se tornaram, no ano passado, sócios majoritários da Thomas Nelson, que pertencia à Record. Agora anunciaram a compra da Ediouro, que tem em seu catálogo diversos pequenos selos, e se comprometeram a lançar 350 títulos por ano, ou seja, 30 títulos por mês. Não é pouco. Mas e a crise? Vocês vão perguntar. A retração chegou pesado no mercado editorial quando o Governo decidiu reduzir as compras.

Pé no freio é a frase das editoras. Tudo parado, só  realizam o que já estava planejado. E isso explica a chegada da Harper Collins. Eles já estavam com isso planejado há muito tempo. A alta do dólar deve ter facilitado a decisão.

Ademais, o mundo dos livros está cada vez mais globalizado, por uma característica do negócio. Vou tentar explicar: a Haprer Collins tem um catálogo gigantesco. Se quiser fazer publicar um livro no Brasil, tem que ir para as Feiras, como a de Frankfurt, e negociar o título com uma editora brasileira. Ali, neste momento, a Harper recebe um percentual. Depois, depende. Depende das vendas, depende se a editora vai pagar, depende, depende. A Harper investiu em editoras em países como Alemanha, Polônia, Japão e Espanha, além do Brasil. Quando a editora tem uma sede nestes países, ela pode descarregar o o seu catálogo direto, sem precisar de uma outra. Entendem? É o seguinte: quando um autor assina um contrato com a Harper, em Londres, está escrito que ela tem o direito de publicação nos países que ela tem sede. Ou seja, está eliminado o atravessador, o intermediário. E está, de vento em popa, instaurada a globalização do livro. A mundialização do livro.

É uma boa notícia a entrada da Harper no Brasil? Sim, se houver investimento na literatura brasileira. E vale lembrar que a maior casa de livros do mundo, a Penguin House, já está aqui há um bom tempo, em sociedade com a Companhia das Letras que, recentemente, adquiriu a Objetiva. Ou seja, isso é um bom sinal. Um sinal que o mercado brasileiro interessa, e muito. Seguimos.

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