A aprovação da PEC que reduz a maioridade atinge em cheio a leitura, a cultura e a educação

Rodapé_MondoLivro - Boletim literário na Rádio CBN

A aprovação da PEC, ontem, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos atinge, em cheio, a leitura, a cultura e a educação. Atinge em vários sentidos. A leitura, por ser civilizatória, a cultura, por ser universal e a educação, por ser humanista. A cada adolescente que for para uma Penitenciária, mesmo que separados dos maiores de 18, como manda a PEC, o Brasil perde um leitor, perde um espectador, o Brasil perde um estudante. Ele já terá se perdido antes, dirão alguns – antes de ter cometido os crimes que o colocaram na cadeia. Mas se estamos na terra das hipóteses, e se antes, antes dos crimes, ele tivesse tido leitura, cultura e educação? Aí eu saio do terreno das hipóteses e afirmo com toda certeza: este adolescente não seria criminoso se tivesse conhecido a leitura, a cultura e a educação. O rapper MV Bill cansa de afirmar que os livros o tiraram do crime. Que os livros o salvaram. Tico Santa Cruz já disse mil vezes sobre a importância da literatura na formação do caráter. Hoje, Tico é escritor, com 3 livros publicados. Roberto Carlos Ramos fez da sua experiência como menor infrator e sua convivência com sua mãe francesa, que o recuperou, uma cruzada pela educação e cultura.

Ao contrário do bom senso, dos milhares de exemplos, do bom caminho e do bom combate – como escreveu Paulo Coelho – a Câmara dos Deputados, ontem, decidiu pela barbárie, dedidiu pela vingança, decidiu pela ignorância. Decidiu por jogar atrás das grades – num país com penitenciárias superlotadas – adolescentes que poderiam sim, ter recuperação. Agora, não mais. Se condenados, ficam, no máximo, 10 anos na jaula. Aí sairão, aos 26, 27, no auge da juventude e seguirão qual caminho? O da criminalidade, escola que vão se aprimorar, na outra escola, a da cadeia. E na cadeia não tem leitura, não tem cultura e não tem educação. Afinal, os adolescentes vão ficar na cadeia especial, separados dos presidiários, apenas até 18 anos. Depois, aquele rapaz vai conviver com o pior dos mundos, o das facções criminosas.

A Câmara dos Deputados, liderados pelo famigerado Eduardo Cunha, fez um belo desserviço à juventude brasileira. Mas fez pior à leitura, à cultura e à educação no Brasil. E como tudo tem o reverso da moeda, fez pior e aumentou a responsabilidade dos educadores que, certamente, responsáveis como são, já estão pensando como atuar juntos a estes jovens condenados. Seguimos, assim, perdendo coisas que já tínhamos conquistado, como disse, em uma coluna anterior.

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