Uma carta aos jovens de Belo Horizonte sobre o FLIBH

Rodapé_MondoLivro - Boletim literário na Rádio CBN

sabino-e-catrefa

Esta é uma carta dedicada aos jovens. Jovens que podem até um pouco de cabelo branco, não tem problema. Moçada, orgulhem-se: Belo Horizonte tem um papel fundamental na história da literatura brasileira. Imaginem a cena: um de vocês olhando pela fresta da janela da Câmara Municipal, que ficava no prédio onde funciona hoje o Centro de Referência da Moda, na esquina de Rua da Bahia com Avenida Augusto de Lima. É um dos poucos  exemplares da arquitetura neogótica de inspiração portuguesa, construído em 1914. Aí vocês vêem um grupo de pessoas passar. O ano era 1924 e os passantes eram Mário,  Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, capitaneados pelos jovens Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Martins de Almeida e Emílio Moura. Junte a esta turma Aníbal Machado, João Alphonsus de Guimaraens e Cyro dos Anjos. Colados neles, Milton Campos, Pedro Aleixo , João Pinheiro Filho e Gustavo Capanema. Drummond viveu em BH até 1932, quando foi para o Rio de Janeiro, trabalhar com o então Ministro da Educação, Gustavo Capanema. Pedro Nava foi atrás. Guimarães Rosa morou e formou-se em Belo Horizonte, até seguir carreira diplomática. Mais à frente, na década de 40, reuniram-se no Grupo Escolar Afonso Pena, ali na Avenida João Pinheiro, Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino. Ao lado deles, Autran Dourado. Todos foram para o Rio de Janeiro seguir carreira. Mais à frente, no final da década de sessenta, reuniram-se ao redor de Murilo Rubião e Guy de Almeida, Humberto Werneck, Otávio Mello Avarenga, Fernando Gabeira, Sérgio Santanna, entre muitos.

Isso é para dizer que Belo Horizonte formou a mentalidade de alguns dos mais importantes nomes da literatura brasileira do século XX. Aqui eles estudaram, aqui se formaram, aqui construíram seu caráter e personalidade. E eu não estou inventando nada. Está tudo registrado no livro “O Desatino da Rapaziada – Jornalistas e Escritores em Minas Gerais”, de Humberto Werneck, publicado pela Companhia das Letras. É uma leitura indispensável. E é isto que o I Festival Literário Internacional de Belo Horizonte vem lembrar. Que nossa cidade literária formou várias gerações de intelectuais que saíram daqui, principalmente para o Rio de Janeiro, para estruturar o pensamento brasileiro, a política brasileira e a boa  literatura brasileira.  Orgulhem-se, jovens de Belo Horizonte. E honrem a tradição, lendo. Lendo muito, e sempre.

Afonso Borges

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