Biografias: você é contra ou a favor?

Rodapé_MondoLivro - Boletim literário na Rádio CBN

Queridos leitores, vocês são contra ou a favor que se jornalistas, historiadores, professores, e outros escrevam sobre a vida e a história de personagens públicos? Escrever sobre a vida e a obra de músicos, atores, artistas é crime? É o que, finalmente, o Supremo Tribunal Federal vai decidir, amanhã, quarta-feira, depois de 13 anos de proibições, retiradas de livros da livraria, e outros absurdos. E Minas Gerais tem um papel decisivo nesta pendenga: a relatora do processo é a ministra Carmem Lúcia, natural de Montes Claros.

O que está em jogo, de verdade, não é a tal intimidade, à qual os personagens contrários à liberdade de expressão clamam. O que está em jogo, de verdade, é grana. É dinheiro, usada da forma mais vil e injusta. O artista, o político, que tem fama, tem a vida pública. Quem entra nesta vida sabe que não vai ter privacidade. O que está em jogo é quanto eles vão receber para que se falem dele. O que está em jogo é quanto os herdeiros vão receber para que se conte a história do parente morto. É só grana.

Do lado de cá do balcão, pesquisadores, historiadores e jornalistas tentam desvendar a obra do personagem contando a história da sua vida. Gente, isso é a coisa mais comum da face da terra! Em todo o planeta, livros são escritos, filmes são produzidos, musicais, peças de teatro, e outras, inspiradas nas vidas, polêmicas ou não, destes personagens que são parte da história cultural ou política destes países. Acontece que, quando o Novo Código Civil entrou em vigor, há 13 anos atrás, advogados espertinhos começaram a fuçar e encontraram o tal Artigo 20, que determina que autores e editores sejam obrigados a pedir autorização prévia para falar do biografado. Isso é o outro nome de censura.

Em qualquer país sério, vale a liberdade de expressão, ou seja, quem quiser, escreva, filme, grave o que quiser, sobre quem quiser. Se a pessoa se sentir atingida, ou ferida em seus brios, entre na Justiça e brigue por seus direitos. O que acontece hoje é que a história de Guimarães Rosa não pode ser contada; nem a de Chico Buarque, para citar um vivo. E contar a história destes personagens públicos é contar a história do Brasil. Portanto, olho vivo na audiência de amanhã, no STF. E eu consegui! Falei tudo que eu queria sem citar o nome do cantor capixaba que mandou recolher uma edição inteira de livros das livrarias. Entendam, queridos ouvintes: na Idade Média, eles foram queimados. Hoje, é pior: eles nem serão escritos para serem queimados.

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